Cuiabá, Segunda-feira 22/10/2018

Variedades - A | + A

06.06.2018 | 10h17

Série da Netflix traz a trajetória de Robert Kennedy

Facebook Print google plus

Há exatos 50 anos morria o senador Robert Kennedy, um dia depois de ser vítima de um atentado à bala no Hotel Ambassador em Los Angeles. Vencedor das primárias na Califórnia, era tido como favorito à presidência dos Estados Unidos na eleição seguinte. A história do crime, mas também da complexa trajetória do personagem, é exposta na série Bobby Kennedy para Presidente, da Netflix.

São quatro episódios, com total de 4h05 de duração. Abrangem do ambiente familiar do clã Kennedy, no qual o verbo ‘perder‘ não era conjugado, às teorias de conspiração surgidas para explicar o espantoso assassinato de Bobby em 1968 por um palestino de 25 anos, Sirhan Bishara Sirhan, nascido em Jerusalém e forçado a se mudar para a Jordânia com a fundação do Estado de Israel.

Um dos muitos pontos positivos da série é reproduzir, com profusão de imagens e depoimentos, o ambiente frenético de um tempo fora do comum. Década em que tudo mudava em velocidade, em que a sociedade parecia à beira do abismo, em que a juventude pregava paz e amor enquanto líderes políticos eram assassinados em série.

Divulgação

Robert Kennedy

Já havia começado com John F. Kennedy, morto em 1963 em Dallas. Depois vieram o ativista negro Malcolm X, em 1965, Martin Luther King e o próprio Bobby Kennedy, ambos em 1968. O pano de fundo da convulsão americana era a Guerra do Vietnã, conflito em que os Estados Unidos haviam se metido e gerava tremenda polarização na sociedade. As lutas pela igualdade racial convulsionam a nação enquanto imigrantes latinos (mexicanos em sua maioria), empregados em fazendas, batiam-se por um lugar ao sol.

A vantagem mais evidente da série é evitar o tom hagiográfico. A figura de Robert Kennedy é suficientemente grande para ser observada em dimensão humana, sujeita a contradições. Ele é visto em sua juventude como competidor disposto a tudo pela vitória. Ótimo pai de família, com dez filhos com a esposa Ethel - o 11.º estava a caminho. Esportista, sorridente, otimista, bem-humorado. Um Kennedy com todo o charme do clã. Mas há passagens menos brilhantes em sua biografia, como quando trabalhou como auxiliar de acusação do anticomunista Joseph McCarthy no Comitê de Atividades Antiamericanas. Ou, já procurador-geral no governo do seu irmão John, autorizando grampo nas conversas de Martin Luther King, tido então como ativista incômodo.

Outro grande mérito da série é mostrar Bobby como alguém suscetível a mudanças, e talvez esta tenha sido sua melhor qualidade. Fosse um personagem ficcional, diríamos que apresenta ‘curva dramática‘. Muda com as circunstâncias. E estas surgem da observação das muitas injustiças e desajustes presentes no país poderoso. Nos EUA dos anos 1960 havia pobreza, perseguições, intolerância racial, um caldo cultural de violência difícil de administrar. Bobby - o filme o indica - teve sensibilidade para abrir os olhos e enxergar. E agir de acordo com o que exigiam as circunstâncias e sua consciência. ‘Ele viu gente sofrendo e isso o mudou‘, diz o deputado e militante afro-americano John Lewis.

Daí ter obtido apoio da comunidade negra e dos imigrantes mexicanos da Califórnia e seus líderes, Dolores Huerta e Cesar Chavez. Era visto como signo de esperança e mudança. O que, por outro lado, dificultava sua situação com setores mais reacionários. Bobby porém pressentia que estava do lado certo da História, poderia surfar a onda contestatória e administrá-la, até levar ao país uma sociedade mais justa.

Com sua morte, Richard Nixon venceu a eleição. 

Voltar Imprimir

Comentários

GD

GD

Enquete

Qual sua opinião sobre a influência das redes sociais e WhatsApp nessas eleições?

Parcial

Edição digital

Segunda-feira, 22/10/2018

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 19,00 0,26%

Algodão R$ 96,68 -0,45%

Boi a Vista R$ 136,75 0,70%

Soja Disponível R$ 69,50 0,00%

Classi fácil
btn-loja-virtual

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados, Gráfica Millenium e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2018 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.