Cuiabá, Terça-feira 23/10/2018

Mundo - A | + A

09.01.2018 | 15h28

Brasileiro preso pelo chavismo relata violência psicológica, mas nega abuso

Facebook Print google plus

O brasileiro Jonatan Moisés Diniz, libertado na semana passada depois de passar 11 dias preso na Venezuela, publicou mensagem nesta terça-feira, 9, em sua conta no Facebook, relatando os detalhes de seu cárcere e sua visão sobre ocorrido.

Entre outras coisas, Diniz afirmou que não sofreu abusos sexuais enquanto esteve preso em uma cela de 8 metros quadrados com outros 8 venezuelanos, apesar de ter sido obrigado a ficar nu em várias ocasiões - ele relatou ter sido fotografado em algumas delas. Ele também disse que não pôde deixar a cela para tomar sol "nem por 10 minutos" e só saiu do local para "assinar mais papeladas".

Reprodução

"Os 11 dias não pude receber visita, fazer chamada ou nenhuma outra coisa", descreveu o catarinense, que mora na Califórnia, nos Estados Unidos. "Tentaram colocar terror psicológico falando que eu poderia ficar lá tanto 1 como 1000 dias, que ninguém havia me procurado e ninguém nem se quer (sic) sabia de minha prisão", completou em seu relato.

Diniz também disse ter recebido comida dos responsáveis pela prisão apenas em 2 ou 3 dias. "Os outros 8 presos que estão lá a (sic) quase 3 anos não recebem nenhuma comida, tendo que a família deles viajar todos os dias para levar algo para eles sobreviverem e foi da comida de meus colegas de cela que me alimentei", detalhou. "Porque se fosse depender do Sebin (o serviço de inteligência da polícia venezuelana) eu tava (sic) fu****."

Ele relatou que os detentos se dividiam entre um colchão e uma treliche, segundo Diniz, em péssimas condições, para dormir. O local também não contava com vaso sanitário ou chuveiro. "Fazer as 'necessidades' tinha que ser na frente de todos e o cheiro nem sempre era dos melhores por a cela ser muito pequena e com tanta gente e quase nenhuma ventilação", escreveu.

Apesar das privações e do sofrimento, ele apontou um aspecto que não considerou tão ruim nos dias em que esteve preso: a cela tem uma televisão e os detentos dispõem de muitos filmes para passar o tempo. "Meus companheiros de cela eram pessoas muito humanas e queridas, faço minhas orações para que eles encontrem suas liberdades logo."

Entre as acusações que alega ter sofrido, o brasileiro disse que tentaram conectá-lo a "Oscar Perez (sic) e o grupo da Resistência na Venezuela" - o ex-piloto da polícia venezuelana Óscar Pérez é acusado de terrorismo e procurado por ter lançado granadas e atirado de um helicóptero contra prédios do governo em junho - com objetivo de "incentivar os presidiários a me odiar".

"De verdade, essas pessoas estão com tanto medo de perder o poder que já estão alucinando", escreveu em relação ao número 2 dois chavismo, Diosdado Cabello, que usou seu programa na televisão estatal venezuelana para anunciar a prisão do brasileiro no dia 27 de dezembro.

Sobre o momento em que foi preso, o brasileiro relatou que estava com amigos bebendo cerveja em uma praia quando foi abordado por um homem que alegou trabalhar para a polícia, apesar de vestir roupas civis. "(Ele) me tirou da praia ameaçando com a arma, tirou meus dois relógios que usava e os repassou como penhora na conta do bar já que não me deu a chance de eu pagar minha conta", explicou.

Diniz esclareceu ainda que na véspera de sua libertação foi levado até o Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (Saime), órgão público responsável pela emissão de documentos para venezuelanos e estrangeiros no país, onde foi obrigado a assinar sua expulsão e um documento que o proíbe de voltar à Venezuela pelos próximos dez anos.

Por fim, ele disse que teve o voo para o Brasil alterado de última hora para os EUA sob alegação de que deveria voltar para onde reside e não para seu país de origem. "Tomei meu voo direção (sic) Miami e logo direção (sic) Los Angeles, guardei segredo de minha localização simplesmente porque evito aparecer na televisão ou dar qualquer entrevista", concluiu. 

Voltar Imprimir

Comentários

GD

GD

Enquete

Qual sua opinião sobre a influência das redes sociais e WhatsApp nessas eleições?

Parcial

Edição digital

Terça-feira, 23/10/2018

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 27,65 -1,60%

Algodão R$ 96,41 -0,46%

Boi a Vista R$ 131,00 0,00%

Soja Disponível R$ 68,50 -0,87%

Classi fácil
btn-loja-virtual

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados, Gráfica Millenium e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2018 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.