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16.02.2018 | 15h36

Prefeito de Colniza denunciou que recebia ameaças de vereador antes de morrer

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Exatamente 3 meses antes de ser assassinado à queima-roupa, o ex-prefeito de Colniza (1.065 Km a Noroeste de Cuiabá), Esvandir Antônio Mendes, procurou a Promotoria de Justiça para denunciar que estava sofrendo ameaças e relatou o interesse do presidente da Câmara de Vereadores daquele município, Rodolfo César Andrade Gonçalves, na cassação do seu mandato. A informação consta na denúncia assinada pelo promotor de Justiça William Ogama, em que pede afastamento do vereador, a quem acusa de fraudar documentos relativos á comissão que tentava cassar o chefe do Executivo municipal.

Reprodução/Gazeta Digital

Prefeito Esvandir, vítima de execução no final do ano passado.

Consta na denúncia que Esvandir relatou que soube de uma ocasião em que Rodolfo Gonçalves, conhecido na cidade como “sargento Rodolfo” disse na presença do ex-secretário de Planejamento Ademir da Silva “que se o Prefeito não saísse pelo voto da câmara, teria um jeito de tirar ele, batendo, neste momento, com a mão na cinta, dando a entender que resolveria o problema com o emprego de arma de fogo, já que é policial militar aposentado”, diz trecho dos autos.

Leia também - MPE pede afastamento de vereador denunciado por prefeito morto em Colniza

O Ministério Público Estadual afirma ainda que o então prefeito narrou outro fato, que segundo ele ocorreu no dia 14 de setembro de 2017, por volta das 15 horas, em sua residência. Esvandir contou ao promotor que, na ocasião, perguntou ao vereador Clínio Tomazi por qual motivo Rodolfo Gonçalves sentia “tanto rancor” dele.

Na denúncia, consta que Clínio disse que Rodolfo enviou um recado, dizendo para Esvandir: “É para você renunciar, que é melhor para você, que se você não renunciar, não vai ficar bom para o teu lado”.

Depois disso, o então prefeito de Colniza começou a se sentir ameaçado. Segundo o MPE, Esvandir contou ainda que no período em que ficou afastado do cargo, naquele mesmo mês, passava em frente à sua casa “uma caminhonete da Câmara, rodando muito devagar, como se quisessem ver a movimentação de sua residência; que durante a noite, diversas motocicletas passam no local, sendo que não era comum esse movimento”, diz trecho da denúncia.

Outro lado

Reprodução

Vereador Rodolfo Gonçalves, investigado pelo MPE

O Gazeta Digital não conseguiu contato com o vereador Rodolfo Gonçalves, uma vez que o telefone informado na ação civil pública contra ele é de um quartel da Polícia Militar em Guariba, Distrito de Colniza, as ligações para a Câmara de Vereadores não foram atendidas e as mensagens enviadas a ele por uma rede social também não foram respondidas, até o fechamento desta matéria.

Por meio de nota, enviada ao noticiário local, o parlamentar se defendeu dizendo que foi um dos primeiros a colaborar com as investigações do crime contra o prefeito, apresentando ao MPE toda a documentação solicitada e que tem a consciência tranquila em relação ao processo de cassação contra Esvandir Mendes, destacando que não deixará de exercer seu papel como vereador e presidente da Câmara municipal.

“Refuto veementemente todas as acusações injustas e apressadas contra minha pessoa e não posso quedar-me enquanto inverdades e suposições são ditas publicamente sobre minha conduta”, afirmou.
Rodolfo Gonçalves destacou ainda que a morte do prefeito “não pode servir de motivação para que seja diminuído o papel da Câmara de Vereadores e da nossa Mesa Diretora, que cumpriu seu papel de fiscalizar os atos do ex-prefeito”. Ele manifestou apoio ao trabalho investigativo do MPE, mas negou ter cometido irregularidades na condução dos processos de apuração das denúncias que existiam contra o prefeito.

A reportagem não conseguiu localizar o vereador Clínio Tomazi e o ex-secretário Ademir da Silva.

Confira a nota de Rodolfo Gonçalves na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Durante os 1 (um) ano e 2 (dois) meses de mandato cumpri meu papel de vereador, fiscalizando todos os atos do poder executivo e tomando as medidas cabíveis quando assim era necessário.

Como Presidente da Câmara, meu papel sempre foi de preservar a autonomia do poder legislativo, como um importante instrumento na defesa dos interesses coletivos do nosso município.

O fato lamentável ocorrido com o Prefeito “Vando”, vítima de um ato bárbaro e cruel não pode servir de motivação para que seja diminuído o papel da Câmara de Vereadores e da nossa Mesa Diretora, que cumpriu seu papel de fiscalizar os atos do ex-prefeito.

Como Presidente da Câmara apoio integralmente o Ministério Público e o trabalho que vem sendo feito em prol das elucidações do caso. Afirmo, no entanto, que não descumpri o Regimento da Câmara nem cometi quaisquer irregularidades na condução dos processos de apuração das denúncias que haviam contra o Chefe do poder executivo.

O Ministério Público deve cumprir seu dever de defender a ordem jurídica e a Câmara Municipal o dever de fiscalizar e ajudar a Administração Pública. A independência dos Poderes deve ser respeitada e, sob o argumento de apurar um crime, que já tem réu confesso, não se pode agravar a crise política no município.

Guardo a consciência tranqüila do dever cumprido e não deixarei de exercer meu papel como Vereador e Presidente da Câmara. Refuto veementemente todas as acusações injustas e apressadas contra minha pessoa e não posso quedar-me enquanto inverdades e suposições são ditas publicamente sobre minha conduta.

Sempre exerci meu cargo de Vereador na luta por uma cidade melhor e assim continuarei no exercício do mandato que me foi dado pelo povo de Colniza.

Fui um dos primeiros a colaborar com as investigações do crime hediondo que ceifou a vida do nosso ex-prefeito e já forneci toda a documentação requerida pelo Ministério Público.

Continuo à disposição do nosso povo, sempre acreditando na justiça.

Rodolfo Cesar Andrade Gonçalves

Vereador - PSDB 

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