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28.11.2017 | 12h39

Fabris mentiu em depoimento, aponta laudo da PF

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Atualizada às 18h26 - Uma análise do laudo realizado pela Polícia Federal no celular do deputado estadual Gilmar Fabris aponta divergências entre o que ele depôs à PF no dia de sua prisão, em 15 de setembro, no âmbito da operação Malebolge (12ª ase da Ararath), e o histórico de chamadas registrado no aparelho, que foi entregue espontaneamente pelo parlamentar aos agentes federais e posteriormente encaminhado para o Setor Técnico Científico da PF, que produziu o estudo.

Otmar de Oliveira

Gilmar Fabris no dia emq ue se entregou à PF e foi preso

O histórico de chamadas abrange o período de 1º de setembro a 15 de setembro deste ano, sendo que o documento destaca os dias 14 e 15, dias em que houve a operação Malebolge.

Segundo o documento, inicialmente, Gilmar Fabris declarou ao delegado Wilson Rodrigues que na manhã do dia 14 de setembro, saiu com sua esposa em direção à residência do casal Lucimar e Jayme Campos, em Várzea Grande, mas que após ligar para o secretário municipal e ser atendido pelo guarda, que informou que Jayme estava dormindo, decidiu se deslocar até a casa do vereador Maninho de Barros. O parlamentar contou ainda que tentou ligar várias vezes para o telefone do vereador, que estava desligado. Em seguida, Fabris disse que ligou para o celular da esposa de Maninho, mas também não foi atendido.

Ao comparar as declarações de Fabris com os registros extraídos de seu aparelho celular, a agente federal Adna Omote, que assina o documento, registrou que “é possível observar que alguns dados não coincidem”. Primeiramente, ela destaca que não há registro de ligação de Gilmar Fabris para Jayme Campos no dia 14 de setembro.

Reprodução

 

Segundo os registros telefônicos, o deputado efetuou duas ligações para a linha salva em sua agenda como de Jayme Campos, mas apenas no dia seguinte. A respeito da ligação para o vereador Maninho de Barros, o primeiro registro disso no dia 14 ocorreu apenas às 08h13m48s, cinco minutos antes de Gilmar Fabris chegar ao estabelecimento Bolo de Arroz, e que possivelmente não foi completada, pois o tempo de duração da chamada é de 0 segundos.

Ainda conforme o registro de chamadas, Gilmar Fabris entrou em contato com outros dois números no início daquela manhã, identificados como "Deputado Botelho" e "Dep. Mauro Savi", seus colegas de Assembleia Legislativa.

Reprodução

 

A Polícia Federal também constatou no registro de chamadas do celular de Fabris que no dia 14 de setembro, quando ele teria fugido da operação da Polícia Federal em seu apartamento, a primeira ligação efetuada ocorreu às 6h11 para a linha telefônica de sua consultora legislativa Gilda Lúcia Figueira Balbino.

Naquela manhã, o deputado também fez várias tentativas de contato com o advogado Ricardo Spinelli, mas sem sucesso. Apenas às 9h11, Spinelli retornou a ligação, mantendo uma conversa rápida. Em seguida, Spinelli foi em direção à lanchonete Bolo de Arroz, onde Gilmar Fabris já estava com seus familiares. A última ligação entre o deputado e o advogado ocorreu às 9h43. Dois minutos depois, o advogado chegou ao estabelecimento.

Também houve ligações registradas no histórico que foram omitidas pelo deputado em seu depoimento. O extrato telefônico mostra que antes de ligar para seu advogado, Fabris ligou para Celson Duarte Bezerra, que foi quem lhe passou o contato de Ricardo Spinelli. Após fazer várias tentativas sem sucesso de contato com o advogado, o parlamentar ligou novamente para Celson e este telefonou para spinelli, explicando que o deputado precisava de seus serviços. Depois disso, é que Ricardo Spinelli retornou a ligação de Fabris, uma vez que não conhecia seu telefone pois nunca havia trabalhado para ele antes.

Reprodução

 

“Cumpre informar que Gilmar Donizete Fabris não mencionou, em nenhum momento de seu Termo de Declarações, a existência deste evento - tanto o contato com o advogado
Ricardo Spinelli quanto sua presença requisitada no estabelecimento Bolo de Arroz”, destacou a análise da Polícia Federal.

Por fim, nas considerações finais do laudo, a agente federal aponta que “os registros de chamadas extraídos e analisados não condizem com os fatos declarados por GILMAR FABRIS em seu termo de declarações - as ligações que ele menciona ter efetuado não constam no extrato. Em verdade, ele ligou para pessoas diversas das mencionadas em seu termo”, diz trecho do documento. 

Outro lado - Por meio de nota, o deputado Fabris afirma que não houve mentira e que vai comprovar com documentos.

Veja a íntegra da nota:

Diante das informações divulgadas pela imprensa de que o deputado estadual Gilmar Fabris ( PSD) mentiu a imprensa em depoimento à Polícia Federal, o parlamentar informa que já acionou seus advogados para comprovar documentalmente que não houve mentira alguma de sua parte.

Pelo contrário, sempre houve a disposição para esclarecer a Justiça o que é requerido pelas autoridades.

No dia 14 de setembro, o parlamentar utilizou o telefone celular de sua esposa para ligar em um telefone fixo daresidência do ex-senador e atual secretário de Assuntos Estratégicos da Prefeitura de Várzea Grande, Jayme Campos (DEM).

Os advogados do parlamentar já estão providenciando a documentação necessária para restabelecer a verdade.

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