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10.01.2018 | 14h00

Inflação baixa esconde preços altos de energia, gás e combustível

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A inflação de 2,95% em 2017 — a segunda menor do Plano Real — pode passar a impressão de que o Brasil não é o mesmo país de preços altos dos últimos anos. Mas na visão de economistas, a realidade é outra.

Inicialmente, vale destacar que a inflação acumulada entre 2014 e 2017 é de 28,8%. Isso significa dizer que, na média, os preços aumentaram nesse patamar.

Reprodução

Mas, obviamente, há itens, como gasolina, energia e gás, que subiram acima da inflação.

O ex-presidente do Cofecon (Conselho Federal de Economia) Paulo Dantas da Costa ressalta que os aumentos dos chamados preços administrados, energia elétrica (10,35%), água e esgoto (10,52%), botijão de gás (16%), gasolina (10,32%) e diesel (8,35%) demostram que nem tudo foi positivo no resultado da inflação.

Ele soma a isso a queda da capacidade de compra das famílias nos últimos anos.

— Uma boa parte sofrendo a amargura do desemprego, a renda média caiu em boa parte desse período [de crise]. Isso tudo repercute na demanda. Se a sociedade tem recursos reduzidos, consequentemente, você tem demanda menor e o preço cai também.

O grupo "alimentação e bebidas" teve inflação negativa de 1,87%. Por outro lado, os gastos com "habitação" subiram 6,26%.

Já o economista André Braz, do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro e Economia da Fundação Getulio Vargas), destaca a queda do preço dos alimentos, mas também questiona os aumentos de outros produtos e serviços.

— O IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] veio com uma taxa negativa na alimentação, que é o item de maior peso nas famílias de baixa renda. Agora, quando a gente analisa todos os grupos, vamos que muitos grupos importantes tiveram acumulado acima da meta [4,5%], como saúde, transportes, educação... boa parte registrou [alta] acima disso. Seria interessante ver essa desaceleração [de preços] em todos os grupos.

Braz observa que a Safra agrícola de 2017 foi melhor do que se esperava, o que contribuiu para a queda do preço dos alimentos. Mas diz que neste ano há pouco espaço para mais redução.

— Tem algo escondido por trás dessa queda, porque em 2015 e 2016 o preço dos alimentos subiu muito por causa da crise hídrica. O feijão subiu 50%. Naquela época alimentação subiu 10% quase. 2017 foi um ano de devolução. O agricultor, de olho nos preços altos de 2015 e 2016, plantou mais e foi brindado com um tempo bom. Mas dificilmente isso vai se repetir em 2018. 

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