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10.07.2018 | 14h25

Brasil pode sentir os reflexos da crise na Argentina

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A crise bate na porta da Argentina e pode refletir no Brasil. Isso porque o país vizinho é um dos nossos principais parceiros para a compra de produtos manufaturados, em especial de veículos.

Agência Brasil

Indústria automobilística deve sentir o impacto da crise na Argentina

O governo argentino precisou recorrer ao FMI (Fundo Monetário Internacional) para equilibrar a situação financeira, principalmente depois da forte alta do dólar e desvalorização do peso.

"Houve uma valorização mundial do dólar e os argentinos foram pegos com déficit alto e reservas baixas, diferente do Brasil", explica o professor do Insper João Luiz Mascolo. "Com nível de renda menor, naturalmente que diminui o poder de compra e o impacto na indústria virá."

Para Livio Ribeiro, pesquisador do IBRE-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) a crise argentina pode afetar a produção brasileira e, em especial, a indústria automobilística.

“A Argentina é a principal compradora de manufaturados e a produção de veículos é dividida entre os dois países — alguns carros da mesma montadora são produzidos aqui, outros lá. A crise bagunça o setor afetando toda a cadeia como o setor de peças, tecido para banco de carro, borracha para pneu, etc.”, explica Ribeiro.

Essa crise pode impactar a economia brasileira como um todo, uma vez que o setor que ajudou a alavancar a retomada econômica foi justamente o automobilístico, pelo menos em um primeiro momento. “A longo prazo, sim, pode ter um impacto no PIB (Produto Interno Bruto) e na geração de empregos”, diz Ribeiro.

O setor de turismo, principalmente do sul do país, pode sentir uma desaceleração na temporada de verão.

Para Mascolo, existe uma possibilidade do mercado interno absorver a produção, embora o crescimento não seja o esperado. "O setor recebeu um grande subsídio do governo. Com certeza a crise na Argentina atrapalha a economia, mas ainda é cedo para falar sobre desemprego."

Reflexo da crise no Brasil

O setor automotivo sofreu uma desaceleração recente nas vendas de veículos à Argentina e também ao México o que o fez cortar suas previsões para produção e exportações em 2018. A greve dos caminhoneiros também contribuiu para o setor não elevar expectativas de vendas no mercado interno.

Por esse motivo, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mudou as previsões para o ano. Para o licenciamento de veículos não foram alteradas e permanecem com alta de 11,7%, o que significa encerrar o ano com 2,50 milhões de unidades comercializadas. O volume para exportação foi revisto e, ao invés de crescer os 4,5% projetados inicialmente, deve ficar estável com 766 mil unidades enviadas para outros países. Para a produção, a nova expectativa aponta um aumento de 11,9%, chegando a 3,02 milhões de unidades fabricadas este ano – a previsão inicial era acréscimo de 13,2%.

Para Antonio Megale, presidente da Anfavea, as novas expectativas da entidade levaram em consideração movimentos importantes:
“O ritmo de vendas dos primeiros quatro meses estava um pouco acima da nossa expectativa inicial, mas a greve dos caminhoneiros trouxe impactos negativos. Nas exportações, a situação econômica de Argentina e México, nossos principais parceiros comerciais, foi a razão de alterarmos a previsão”.

Já o México, segundo maior mercado de veículos do Brasil, trava neste momento uma disputa comercial com os Estados Unidos e reduz as importações. 

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