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25.08.2017 | 09h09

MP da Bahia já havia alertado sobre riscos de travessia de barcos

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O Ministério Público Estadual da Bahia já havia proposto duas ações civis públicas alertando para o risco de acidentes como o que aconteceu nesta quinta-feira, 24, na travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica. O órgão informou que destacará um promotor público para acompanhar as investigações sobre as causas do acidente.

Segundo o MPE baiano, a primeira ação civil havia sido proposta em 2007 e a segunda, em 2014. “A precariedade do serviço de transporte hidroviário realizado pelas embarcações tem sido alertada há mais de dez anos”, diz o órgão.

Ambas as ações haviam sido elaboradas pela promotora Joseane Suzant, da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Salvador.

A primeira investigação havia sido sobre a qualidade das embarcações e sobre as ação de barcos ilegais em operação na Baía de Todos os Santos. A investigação apontou que havia risco à segurança de “centenas” de pessoas, conforme nota do MP.

Sete anos depois, na segunda ação, o foco das investigações havia sido a qualidade da infraestrutura existente para permitir o trânsito marítimo na área. A promotora pediu à Justiça que o poder público fosse obrigado a reformar os portos e as empresas fossem condenadas a também fazer reformas nas embarcações e adotar medidas como renovar os estoques de coletes salva-vidas, além de outras determinações.

Ambas as ações ainda estão em trânsito, sem decisão judicial, segundo nota enviada pelo MPE baiano.

Pará

No caso do Pará, a Procuradoria da República naquele Estado também avalia acompanhar as investigações sobre o naufrágio ocorrido na quarta no Rio Xingu, entre as cidades de Porto de Moz e Senador José Porfírio, no sudoeste paraense, que deixou 21 mortos, segundo informa a Marinha.


A embarcação Capitão Ribeirão afundou na noite desta terça 

O MPF já havia feito uma parceria com o Ministério Público Estadual do Pará para investigar outro naufrágio, ocorrido no dia 2, quando nove pessoas desapareceram após um acidente envolvendo um barco e um navio rebocador de balsas próximo ao município de Óbidos, no oeste do Estado, próximo do Amazonas. Procuradores haviam se reunido com autoridades públicas locais, familiares dos desaparecidos e com representantes das empresas responsáveis pelas duas embarcações.

A última reunião entre MPF e MPE estava marcada para ocorrer justamente na quarta, quando o barco Capitão Ribeiro naufragou. O naufrágio. Sobreviventes do naufrágio relatam momentos de desespero enquanto o barco afundava na manhã. A administradora de empresas Meire Reis, de 53 anos, havia assistido, na noite anterior, às notícias do naufrágio no Pará, que deixou ao menos 21 mortos na madrugada desta quarta. “Eu conversei com meu marido ainda ontem (quarta) à noite sobre o acidente com o barco no Pará. Estava triste e ele me falou que na hora do desastre é bom mergulhar e ir para longe", contou ela, que mora na Ilha de Vera Cruz e trabalha em Salvador. "Pego a barca diariamente. Parece que pressentia algo ruim.”

A dica do marido e a conversa na noite anterior salvaram a vida de Meire. Como de costume, estava no atracadouro da Ilha de Vera Cruz para seguir viagem a Salvador. A embarcação, que estava programada para sair no horário, era a Cavalo Marinho I.

“Não quis chegar atrasada ao trabalho e entrei. Mas pensei em desistir. É uma embarcação antiga, a menor delas. Roda há pelo menos uns 40 anos. Já lançaram a Cavalo Marinho II, III com capacidade maior. Esta só pega 129 pessoas mais a tripulação com quatro.”

Ela recorda emocionada na frente do Hospital Geral do Estado (HGE), já de alta e acompanhada da filha Isabel, que reside em Salvador e de amigos, que o desespero foi grande na hora do acidente. “Chovia e ventava, então todos os passageiros resolveram ir para o lado oposto à chuva. O lado esquerdo ficou sem peso, por isso o barco virou.”

No instante em que o barco virou, ela diz que olhou para o teto a fim de pegar os coletes que estavam amarrados e com um nó difícil de desfazer. Meire não sabe nadar. Então, a administradora bateu com a cabeça no teto do barco e as pessoas começaram a cair umas por cima das outras.

Foi um desespero total. Imagina, no mar e eu não sei nadar. Lembrei da conversa com meu marido e mergulhei e fui me distanciado do local onde havia desespero. Nisso, me deparei com um bote e me segurei nele. O socorro demorou a chegar. Eu olhava e via muitos corpos no mar. Tinha criança lá. Que tragédia.”

Meire foi salva por um voluntário que andava de lancha nas proximidades. “O socorro oficial chegou duas horas depois. Essa lancha ainda resgatou uma criança de um ano. Mas não sobreviveu pelo que soubemos.” 

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