Cuiabá, Segunda-feira 24/09/2018

Brasil - A | + A

13.03.2018 | 18h30

Médicos da USP usam smartphones para cirurgias no cérebro

Facebook Print google plus

Uma equipe de médicos brasileiros demonstrou que smartphones podem facilitar e baratear as neurocirurgias. Os pesquisadores, do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP) adaptaram smartphones ao endoscópio - o instrumento utilizado para observar o interior do organismo. O novo recurso foi descrito em um artigo publicado nesta terça-feira, 13 na principal revista científica internacional de neurocirurgia, Journal of Neurosurgery.

A neuroendoscopia é um procedimento neurocirúrgico pouco invasivo utilizado em alguns casos para corrigir hidrocefalia, remover tumores, tratar doenças vasculares e outros problemas no cérebro. No novo estudo, os cientistas demonstraram a aplicação do novo recurso em neurocirurgias realizadas em 42 pacientes no HC.

De acordo com o autor principal do estudo, Maurício Mandel, do HC-USP e do Hospital Israelita Albert Einstein, a ideia inicial era apenas baratear os procedimentos de neuroendoscopia, mas o recurso acabou mostrando diversas vantagens em relação aos métodos convencionais.

Segundo ele, um sistema de neuroendoscopia custa de R$ 200 mil a R$ 300 mil. A nova opção os custos são reduzidos ao preço de um iPhone - a marca de smartphone utilizada no estudo - e do adaptador que integra o endoscópio ao celular, que custa cerca de R$ 1 mil.

‘Com essa redução de custos, é muito provável que esse recurso possa ser utilizado no SUS, em várias escalas, com aplicação em outros tipos de cirurgia. Mas ao desenvolver o novo sistema, descobrimos que o trabalho do cirurgião também se torna mais seguro e mais simples‘, disse Mandel ao jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com Mandel, com o método convencional, o cirurgião introduz um neuroendoscópio em uma pequena incisão no crânio, no nariz ou no céu da boca do paciente. O neuroendoscópio inclui uma fonte de luz para iluminar o campo de cirurgia, lentes de aumento e uma câmera, que envia as imagens a um monitor na sala de operação, além de canais para inserção de instrumentos cirúrgicos.

‘Com o smartphone, o cirurgião não precisa virar a cabeça para olhar o monitor. Em vez disso, ele utiliza o celular como uma tela de alta definição bem na frente do endoscópio. Com isso, ganhamos a enorme vantagem de podermos olhar para o campo cirúrgico enquanto trabalhamos. Isso facilita a manobra do equipamento, porque a tela se move junto com o endoscópio, tornando o procedimento muito mais intuitivo e seguro‘, explicou Mandel.

Além disso, segundo Mandel, o método permite gravar e transmitir em tempo real - por wi-fi ou bluetooth - todas as imagens da neurocirurgia. Elas podem ser enviadas, por exemplo, a um monitor onde outros cirurgiões podem acompanhar o procedimento. ‘Com o celular acoplado, temos a possibilidade de transmitir a cirurgia ao vivo para um colega em qualquer parte do mundo.‘

‘O recurso abre portas para algumas possibilidades que nem imaginamos ainda. s vezes, na medicina, há casos difíceis ou raros que mesmo um cirurgião muito experiente pode nunca ter encontrado em sua carreira. Se temos a oportunidade de compartilhar a cirurgia ao vivo com um colega mais experiente, isso pode ser muito bom para os pacientes‘, disse Mandel.

Recurso pedagógico

Segundo Mandel, o estudo descreve o uso do smartphone adaptado ao neuroendoscópio em cirurgias realizadas em 42 pacientes, mas a equipe do HC já utilizou o recurso em mais de 150 casos - incluindo tratamento para hidrocefalia, aneurismas e a retirada de hematomas provocados por trauma. De acordo com ele, como todos os passos da cirurgia são gravados, o conteúdo está sendo utilizado também para fins pedagógicos.

‘Mostramos também no estudo que a integração de smartphone e neuroendoscópio proporcionou que nossos residentes aprendessem muito mais rápido a realizar neurocirurgias.‘

O acoplador utilizado pelos pesquisadores para integrar smartphone e neuroendoscópio já existia no mercado e era utilizado especialmente para facilitar a entubação de pacientes. ‘Tivemos a ideia de utilizar o acoplador para a neurocirurgia. Foi preciso fazer algumas adaptações‘, contou Mandel.

Durante as cirurgias descritas no estudo, os pesquisadores utilizaram iPhones modelos 4, 5 e 6, combinados com diversos tipos de neuroendoscópios. As imagens foram enviadas por Wi-Fi diretamente a um monitor de vídeo que permaneceu na sala de operação, para o caso de ser necessário utilizar o procedimento convencional. Mas não foi preciso recorrer ao monitor externo nenhuma vez.

Todas as cirurgias foram bem sucedidas e não houve nenhum tipo de complicação relacionada ao uso do smartphone, de acordo com o estudo. Uma das conclusões do artigo é que o baixo custo do novo recurso permite sua utilização em áreas onde a infraestrutura médica não é suficiente para a aquisição e manutenção de equipamentos caros.

Além de Mandel, os demais autores do artigo são Carlo Emanuel Petito e Rafael Tutihashi, também do HC-USP e do Hospital Albert Einstein, Wellingson Paiva, Fernando Gomes Pinto, Almir Ferreira de Andrade, Manoel Jacobsen Teixeira e Eberval Gadelha Figueiredo - todos do HC-USP - e Suzana Abramovicz Mandel, do Hospital Albert Einstein. 

Voltar Imprimir

Comentários

Enquete

Você já anotou os números dos seis candidatos em quem irá votar nesta eleição?

Parcial

Edição digital

Segunda-feira, 24/09/2018

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 21.100 0.720

Algodão R$ 117.650 -0.220

Boi a Vista R$ 125.000 1.630

Soja Disponível R$ 79.200 -1.000

Classi fácil
btn-loja-virtual

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados, Gráfica Millenium e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2018 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.