Médico alerta para cirurgias plásticas de baixo custo e riscos lá em cima | Gazeta Digital

Domingo, 20 de maio de 2018, 16h15

Médico alerta para cirurgias plásticas de baixo custo e riscos lá em cima

Karine Miranda, repórter do GD


Cada vez mais cobiçadas, principalmente entre as mulheres, as cirurgias plásticas se tornaram mais baratas e acessíveis, inclusive com novas formas de pagamento. Mas é preciso atenção para que o barato não signifique risco ao paciente. O alerta é do médico Michel Patrick, que atua como cirurgião plástico há uma década e também é professor de medicina na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Divulgação

Cirurgião plástico Michel Patrick

Ele pondera que não vale tudo para realizar a tão sonhada cirurgia plástica, muito menos procurar profissionais pelo preço que cobram. Isto porque, quanto menor o preço, maior o risco ao paciente em razão da possibilidade de que o procedimento seja feito em uma unidade de saúde que não tenha Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), por exemplo.

“À medida que eles vão cortando os gastos, vai diminuindo a segurança. Se o hospital não tem retaguarda interessante, é um risco ao paciente, ainda mais se fizer mais de um procedimento que ultrapassem as 4 horas, pois este é o tempo máximo indicado para reduzir os riscos das cirurgias”, disse o profissional em entrevista ao Gazeta Digital.

Segundo o médico, não existe uma obrigação de que os procedimentos sejam feitos em hospitais com UTI, mas o bom senso orienta os médicos e pacientes a priorizarem locais que tenham a Unidade de Tratamento Intensivo, principalmente para quem vai fazer mais de uma cirurgia por vez.

“Não há nada que fale que é obrigado ter UTI, mas a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica orienta que todas as cirurgias sejam feitas em lugar que tenha um suporte de UTI. É uma recomendação muito importante”, destaca.

O alerta ocorre depois de a jovem Edléia Danielle Ferreira Lira, 33, morrer em decorrência do choque hemorrágico após se submeter a duas cirurgias plásticas no Hospital Militar, em Cuiabá, e ter de aguardar por horas até conseguir uma transferência para outro hospital que tivesse UTI.

Divulgação

Edléia Danielle Lira morreu por complicações após cirurgias plásticas feitas em Cuiabá

Danielle passou por uma lipoescultura e mamoplastia redutora, que durou cerca de 6 horas, com o médico Eduardo Santos Montoro, pelo programa “Plástica Para Todos”. Ela pagou em torno de R$ 6 mil pelos procedimentos, incluindo a internação e anestesia.

Segundo o cirurgião Michel Patrick, preços tabelados e ofertas em redes sociais, como ocorre com o “Plástica Para Todos”, não é o método recomendado para quem pretende fazer cirurgia plástica.

Inclusive, o próprio médico é proibido de participar desse programa. Ambas as situações são repudiadas pelo Código de Ética Médica, Conselho Regional de Medicina (CRM) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

“Eles são contra, porque é como se tivesse fazendo o mercantilismo da medicina. Isso não é aceito. O médico precisa avaliar o paciente. Não só falar o valor da cirurgia independentemente da condição de cada paciente, pois tudo depende da avaliação do médico”, explicou.

“O aconselhável é ter consulta com médico, conversar, avaliar. Até a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica emitiu uma normativa proibindo os médicos cirurgiões plásticos de participarem desse tipo de programa, pois a partir do momento que eu estou tentando ganhar pacientes através de preços, estou descumprindo uma norma do Código de Ética Médica”, complementou.

A orientação, segundo o médico, é procurar um profissional que tenha o registro junto ao Conselho de Medicina e à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, além de realizar todos os exames pré-operatórios recomendados, que variam de acordo com a cirurgia a ser feita.

Além disso, também é preciso que pacientes (mulheres e homens) tenham ciência de que não basta ter uma boa saúde e estar com os exames em dia, que será possível realizar várias cirurgias de uma vez, em razão do aumento do risco cirúrgico.

“Se a cirurgia passa de 4 horas, os riscos aumentam e muito. O porte cirúrgico, que é a complexidade do procedimento, também aumenta os riscos. Sempre falo que o paciente da cirurgia plástica entra bem e tem que sair melhor. Por isso, é importante a segurança e a ciência de que custos lá embaixo implicam em riscos lá em cima”, encerrou.

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