Após morte, empresa nega erro médico e cancela cirurgias em Hospital Militar | Gazeta Digital

Quarta, 16 de maio de 2018, 17h14

'plástica para todos'

Após morte, empresa nega erro médico e cancela cirurgias em Hospital Militar

Karine Miranda, repórter do GD


A empresa “Plástica Para Todos” negou, por meio de nota à imprensa, que tenha havido erro médico nas cirurgias feitas em Edléia Danielle Ferreira Lira, 33, que morreu 2 dias após os procedimentos. A empresa anunciou, porém, que suspendeu a realização de novas cirurgias no Hospital Militar, em Cuiabá.

Até antes da morte, todas as cirurgias realizadas pelo programa eram feitas no hospital, apesar de ele não possuir Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). As pacientes pagam o valor da cirurgia, que já inclui a internação no hospital e anestesia. Os valores pagos são mais baixos do que os oferecidos no mercado, objetivo do programa.

Reprodução/Facebook

Danielle morreu aos 33 anos

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Edléia Danielle Ferreira Lira, por exemplo, pagou R$ 50 para entrar no grupo de WhatsApp do programa, mais R$ 50 pela consulta e outros R$ 6 mil pela cirurgias de lipoescultura e mamoplastia redutora. A jovem teve morte cerebral confirmada no domingo (13), após ter um choque hemorrágico causado pelas 2 cirurgias.

De acordo com a nota emitida pelo advogado da empresa, Alex Sandro Rodrigues Cardoso, o programa “Plástica para Todos” já realizou milhares de procedimentos cirúrgicos em todo país "sem registro de nenhum caso de morte, independentemente de sua causa".

O advogado ressalta que existem riscos em todos os procedimentos cirúrgicos em geral e “suas causas nem sempre estão associadas à ocorrência de erros médicos”. Inclusive, o Hospital Militar é “frequentemente utilizado para realização de cirurgias por outros profissionais locais e não vinculados à empresa “Plastica Para Todos”.

Isso, segundo o advogado, demonstraria que não há nenhum impedimento para que os procedimentos cirúrgicos sejam feitos do local. No entanto, não vai mais realizar as cirurgias nas dependências do hospital.

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“Não há que se falar, até o momento, em causas de negligência, imperícia ou imprudência da equipe médica, tampouco do hospital onde o procedimento foi realizado, já que 70% das cirurgias plásticas realizadas no país ocorrem em unidades sem leitos de terapia intensiva, não sendo, portanto, obrigatório”, diz trecho da nota.

Ainda segundo o advogado, todos os profissionais que atuam no programa possuem registro junto aos Conselhos Regionais de Medicina do seu local de origem e do Estado onde atuam, além de registro na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Entre eles, o médico Eduardo Santos Montoro, responsável por realizar as cirurgias na vítima.

Reprodução

cancela cirurgias em Hospital Militar em MT

“Com base neste histórico, é possível afirmar que o caso envolvendo a paciente, provavelmente, esteja isento de erro de conduta profissional, sendo típico de evoluções imprevisíveis”, diz trecho da nota.

No entanto, a advogado afirma ainda que aguarda o laudo pericial para discutir detalhes da situação. “Mesmo assim, as causas somente poderão ser discutidas após o laudo do exame de necropsia”.

A previsão é que o laudo fique pronto somente em 10 dias. Porém, a certidão de óbito apontou que Danielle teve um choque hemorrágico. A esposa da vítima chegou a dizer que ela teve sangramento nas costas  quando estava no quarto do hospital depois de passar por 6 horas em cirurgia.

Na ocasião, enfermeiros constataram que a vítima estava com os dedos “brancos” e sem pulso. Além disso, a jovem teve uma parada cardiorrespiratória e teria aguardado por mais de 1 hora a presença do médico e a indicação de transferência para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital Sotrauma, que ocorreu somente 4 horas depois.

A jovem teve a morte cerebral foi confirmada às 17h do último domingo, após passar por um protocolo de avaliação que comprova a perda definitiva e irreversível das funções cerebrais.  Em razão de todo ocorrido, o advogado afirmou ainda que o programa “não poupará esforços para o rápido esclarecimento do caso” e se "mantém à inteira disposição para os esclarecimentos necessários".

Veja a íntegra da nota emitida:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Diante das recentes notícias veiculadas, a empresa “Plástica Para Todos”, por meio de seu advogado, vem a público esclarecer e corrigir alguns fatos equivocados, tornados públicos nos últimos dias.

– A empresa reconhece que não há palavras que possam aliviar a dor de familiares e amigos da paciente que infelizmente veio a óbito e, por isso, não poupará esforços para o rápido esclarecimento do caso, a fim de confirmar a ocorrência de fatalidade adversa que a vitimou.

– A qualidade e a regularidade dos serviços ofertados pela empresa, executados por profissionais habilitados e com registros junto aos Conselhos Regionais de Medicina e à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, são atestadas pelos milhares de procedimentos cirúrgicos já realizados em todo o país, sem que jamais tivesse ocorrido, até então, qualquer evolução de óbito, independentemente de sua causa.

– Com base neste histórico, é possível afirmar que o caso envolvendo a paciente, provavelmente, esteja isento de erro de conduta profissional, sendo típico de evoluções imprevisíveis. Mesmo assim, as causas somente poderão ser discutidas após o laudo do exame de necropsia.

– A empresa esclarece que os médicos credenciados possuem registro junto ao CRM de origem e local, inclusive quanto à especialidade de cirurgia plástica e ainda, faz-se importante registrar, que este mesmo hospital é frequentemente utilizado para realização de cirurgias por outros profissionais locais, também membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e não vinculados à empresa “Plástica Para Todos”.

– Vale destacar que a existência de riscos em todos os procedimentos cirúrgicos em geral e suas causas nem sempre estão associadas à ocorrência de erros médicos ou de equipes multidisciplinares de saúde. Por conta disso, não há que se falar, até o momento, em causas de negligência, imperícia ou imprudência da equipe médica, tampouco do hospital onde o procedimento foi realizado, já que 70% (setenta por cento) das cirurgias plásticas realizadas no país ocorrem em unidades sem leitos de terapia intensiva, não sendo, portanto, obrigatório.

– A empresa “Plástica Para Todos”, que luta incessantemente para democratizar a especialidade, expressa os mais sinceros votos de confiança, depositados junto às autoridades instituídas e aos órgãos da classe e se mantém à inteira disposição para os esclarecimentos necessários, informando aos nossos clientes que, muito em breve, serão informados sobre a nova unidade hospitalar onde os procedimentos cirúrgicos serão realizados na cidade de Cuiabá.

Alex Sandro Rodrigues Cardoso
Advogado
 

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