Após greve, reajuste de refeições na UFMT fica para 2019 | Gazeta Digital

Quarta, 16 de maio de 2018, 16h15

restaurante universitário

Após greve, reajuste de refeições na UFMT fica para 2019

Karine Miranda, repórter do GD


A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Myrian Serra, anunciou a suspensão da discussão sobre a implantação da nova “política de alimentação estudantil” até dezembro deste ano. Com isso, a decisão sobre o reajuste, ou não, do preço das refeições no Restaurante Universitário (RU) fica para 2019. A suspensão ocorre após os estudantes terem deflagrado greve geral e ocupado os blocos, com o apoio dos docentes, há mais de uma semana.

Divulgação

Reajuste do valor das refeições  fica pra 2019

A proposta que foi anunciada para ser implantada este ano previa que a UFMT subsidiasse integralmente o pagamento das refeições servidas no Restaurante Universitário somente aos alunos de graduação com renda per capita familiar de até 1,5 salário mínimo e 50% do custo para estudantes de graduação presencial e pós-graduação.

Leia mais - Estudantes da UFMT deflagram greve geral contra reajuste de refeições - veja vídeo

Com isso, os estudantes com renda superior pagariam o valor de pouco mais de R$ 3 no café da manhã e R$ 11 nos almoços e jantares. No modelo atual, os universitários pagam R$ 0,25 no café da manhã e R$ 1 nos almoços e jantares, enquanto a UFMT subsidia R$ 3,05 e R$ 10,05 respectivamente.

A proposta causou a revolta dos alunos e a universidade chegou a recuar parcialmente da iniciativa anunciando que só ia retomar as discussões até que fossem concluídos os trabalhos de uma comissão formada por estudantes, técnicos administrativos e docentes, que debatia o assunto.

No entanto, em razão da greve estudantil com o apoio dos docentes (que também aprovaram o indicativo de greve), a UFMT recuou de discutir definitivamente o assunto ainda este ano e propôs a construção de uma nova política de alimentação a partir de 2019.

“Há um cenário de restrição orçamentária imposto às universidades públicas em nosso país. Embora atuemos contra isso no campo político e social, de forma imediata também precisamos readequar nossas despesas internas. Mas ouvimos da comunidade acadêmica sobre a importância de participar ativamente deste processo”, disse a reitora.

Reprodução

Estudantes ocuparam blocos em protesto 

Ainda segundo ela, os recursos das universidades públicas destinados a despesas de custeio vêm caindo seguidamente nos últimos anos. O orçamento de 2017 para custeio, por exemplo, caiu 4,5% em relação ao exercício anterior e isso tem impactado significativamente na situação financeira da instituição.

“Há uma mobilização das instituições federais de educação superior na tentativa de recuperar o fôlego financeiro para que possam cumprir seu papel social. Ao mesmo tempo, as instituições têm feito gestão administrativa para ajustar os seus gastos de forma a minimizar os impactos dessa realidade orçamentária”, disse.

A decisão de suspender o reajuste foi comunicada pela reitoria aos Comandos de Greve dos estudantes e Diretório Central dos Estudantes (DCEs) dos campi de Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Araguaia e Rondonópolis, para deliberação de modo que sejam encerradas as ocupações e retomadas as aulas. Os estudantes já foram comunicados e ainda avaliam quais as medidas a serem tomadas.

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