Movimento em defesa do SUS exige melhorias na saúde e fim do sucateamento | Gazeta Digital

Quarta, 28 de fevereiro de 2018, 10h00

Movimento em defesa do SUS exige melhorias na saúde e fim do sucateamento

Keka Werneck, repórter do GD


Divulgação

Com personagens vestidos de ratos em alusão aos políticos corruptos, o Fórum Permanente de Saúde de Mato Grosso, que agrega entidades que defendem melhorias no Sistema Único de Saúde (SUS), lançou o "Movimento em Defesa do SUS". Eles denunciam a falta de equipamentos, medicamentos e recursos humanos e associam o problema à corrupção.

Presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde (Sisma), Oscarlino Alves, que é conselheiro estadual de saúde, ressalta a precariedade nas unidades da Capital e interior. “A situação é caótica e tem se agravado cada vez mais. São obras inacabadas e com problemas estruturais, precisando manutenção e reforma imediatas. Os servidores têm buscado soluções para manter os atendimentos, usando muitas vezes dinheiro do próprio bolso, mas isso não é mais possível, pois falta tudo, estrutura física, mobiliários e especialmente material de expediente, medicamentos e insumos. A saúde em Mato Grosso está na UTI”, afirma o sindicalista.

"Tem pessoas morrendo na fila de espera", lamenta o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Dourado. Ele critica a demora no atendimento, a terceirização da saúde e a falta de concurso público no setor. "As OSSs foram embora deixando a crise instalada nos hospitais regionais e há 15 anos não tem concurso público. Este ato é o SUS pedindo socorro, que a sociedade abrace essa política que é muito boa, só precisa ser estruturada".

Após o ato, os manifestantes entraram na Assembleia para acompanhar uma audiência pública de prestação de contas da Secretaria de Estado de Saúde (SES) dos gastos feitos no 2º quadrimestre de 2017, que seria realizada, mas foi suspensa.

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"É uma falta de respeito com o povo, desmarcam e não avisam", vaticina Dourado.

Médica Eliana Siqueira, ex-presidente do Sindicato dos Médicos, atribui a crise no interior também à terceirização na saúde. "Famigeradas OSSs que começaram o trabalho e não acabaram, só acabaram mesmo é com a saúde do Estado. Cáceres está aí. Era o melhor regional. Hoje em dia não tem nenhum tipo de exame, só hemograma. A população do interior, bem como da baixada cuiabana, está em maus lençóis", critica.

Audiência

A audiência era da Comissão de Fiscalização e Acompanhamento Orçamentário. Porém, o presidente da Comissão, deputado estadual José Domingos Fraga (PSD), passou por uma cirurgia e o correligionário Wagner Ramos, na condição de vice-presidente, foi convocado pela Comissão para substitui-lo. "Fiquei esperando durante 30 minutos pelos técnicos da saúde que iam apresentar os relatórios e eles não compareceram. Compareceram um adjunto da Seplan (Planejamento) e uma funcionária da SES, mas quem ia apresentar mesmo os relatórios não. Sendo assim, não fazia sentido ir adiante."

A SES foi questionada sobre o motivo da ausência e alegou que pediu a suspensão da audiência na terça-feira.

Confira a íntegra da nota

"Por questões de agenda, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) entrou em contato na manhã de terça-feira (27.02) com a assessoria do deputado José Domingos Fraga solicitando o adiamento da audiência na Assembleia Legislativa, na qual seria apresentado o balanço das metas da saúde relativas ao segundo semestre de 2017. A SES acredita que houve algum problema de comunicação, já que o deputado, que estava em viagem, acabou repassando a condução da audiência para outro deputado."

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