Após regulamentação, MT já registrou 77 casamentos gays | Gazeta Digital

Terça, 16 de maio de 2017, 10h22

Após regulamentação, MT já registrou 77 casamentos gays

Keka Werneck, repórter do GD


Reprodução

Conheça as histórias de Cristina e Eliana e Paulo e Admilson

A regulamentação do casamento homoafetivo no Brasil chega aos 4 anos com 15 mil registros oficializados, porém em Mato Grosso os números ainda são inexpressivos, apenas 77 casos.

Casos de homens que se casaram formalmente com outros homens são 40, entre 2013 e 2015. Casos envolvendo duas mulheres, neste mesmo período, foram 37. Os dados são do IBGE. O Instituto ainda não divulgou o número de casamentos gays realizados ano passado.

A regulamentação de 14 de maio de 2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com a Resolução 175, causou no Brasil uma corrida aos cartórios e houve um aumento de 51,7% das cerimônias oficiais.

Eliana e Cristina

Arquivo Pessoal

Cristina e Eliana

No calor da regulamentação, a médica Eliana Siqueira, 52, presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed-MT) e a assistente social Cristina Oliveira, 33, de Cuiabá, que já estão juntas há 8 anos, resolveram oficializar o amor.

Dia 24 de maio de 2014 é uma data que elas nunca vão esquecer. "Foi emocionante", resume Eliana.

Cristina vestiu de noiva; Eliana vestiu roupas brancas. As duas levaram flores nas mãos. Um grupo de 120 pessoas assistiu também com emoção à celebração de um amor, que precisou vencer a barreira da homofobia e do preconceito.

"No princípio tudo é muito difícil, mas hoje estamos tranquilas", afirma.

Cristina tem uma filha de 18 anos que lida bem com a situação. Parentes e amigos também acolhem a famílias delas.

Sobre a formalização da união, Eliana afirma que é importante porque assegura direitos civis, como outro casamento qualquer. "Quisemos ocupar este espaço que foi aberto", explica.

Paulo e Admilson

O gastrônomo Paulo Augusto Rodrigues e o professor Admilson Mário de Assunção estão casados há 9 anos. Há 3 anos registraram União Estável. No entanto, ainda planejam formalizar registro civil.

Arquivo Pessoal

Paulo e Admilson

"Faltou tempo para planejar a festa, mas achamos importante assegurar os bens, por exemplo, que a gente constrói juntos. Se um faltar, o outro precisa ficar seguro", explica o professor Admilson.

Em 2015, os dois resolveram adotar dois irmãos Vitor Hugo, 10, e Alejandro, 9, e completaram a família formada há 8 anos. "Uma família como outra qualquer, em paz, dia a dia normal, trabalhamos, os meninos vão a escola e nos damos bem e estamos bem graças a Deus", resume Admilson.

Facebook

Tatiana, Tauana e o filho dela, Leonardo

"Se é assim, por que não garantir direitos civis", defende.

Tauana e Tatiana

A jornalista Tauana Schmidt, 32, e a musicista Tatiana Faria, 30, vão fazer 3 anos de casamento informal próximo setembro. Tatiana é lésbica assumida desde os 20 anos, mas Tauana teve um percurso diferente.

Casou com 13 anos com um homem e se separou, teve um filho, o Leonardo, hoje aos 11 anos, casou-se de novo, com outro homem, por seis anos, separou, teve duas namoradas até se encontrar com o que considera ser "a amor real".

"Nunca me entreguei assim a ninguém e nem a nenhum outro homem", afirma.

As duas até pensaram em se casar e acham isso importante, tanto espiritualmente quanto formalmente, mas o dinheiro que guardaram para a festa decidiram usar para outra coisa que amam: ir ao Rock in Rio.

Tauana diz que, apesar de tanto amor, ainda são observadas com preconceito, inclusive na família.

"Falam pelas costas", lamenta. "Mas para mim o que importa são meus pais e meu filho".

Ao assumir a Tatiana e a orientação sexual, ela diz que se libertou de muitas outras coisas, mudou o visual e se descobriu feminista.

Sobre o casamento gay, diz que isso é importante porque "não sabemos o dia de amanhã e o que estamos construindo juntas hoje é direito de nós duas", comenta.

Homofobia

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Gabriel, da ONG Livremente

Presidente da ONG Livremente que defende direitos LGBT, Gabriel Henrique, explica que Mato Grosso ainda é uma Estado muito homofóbico e preconceituoso e as pessoas ainda têm vergonha da própria orientação sexual, com medo de represálias nas ruas e na família.

Ele avalia que as políticas públicas existentes aqui são frágeis e não dão conta de mudar esta realidade, como o Grupo de Combate a Crimes de Homofobia, criado no âmbito da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). "É uma boa iniciativa mas praticamente isolada", lamenta. "Teria que ter iniciativas também nas escolas e transversais atingindo toda a sociedade", sugere.

Quanto aos parlamentares que levantam bandeiras homofóbicas, ele lamenta que também atrasem todo o processo de garantia de respeito e direitos aos gays em Mato Grosso.



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