Mais de 40 mil famílias estão envolvidas em conflitos agrários em MT, diz CPT | Gazeta Digital

Terça, 25 de abril de 2017, 12h03

Mais de 40 mil famílias estão envolvidas em conflitos agrários em MT, diz CPT

Keka Werneck, repórter do GD


Chico Ferreira/Arquivo

Pistoleiros afetaram 272 famílias que vivem em Mato Grosso em 2016.

Ao todo, 40.028 estão envolvidas em conflitos agrários violentos.

São mulheres, homens e crianças que receberam e muitas delas ainda recebem ameaças na rotina, em áreas rurais, correndo risco de serem executados a exemplo do que aconteceu na última quarta-feira (19), em Colniza (1.065 Km a Noroeste de Cuiabá).

Em Colniza, nove homens foram mortos na chacina. A perícia verificou que alguns dos corpos estavam amarrados e, outros, decapitados.

No momento, em torno de 7 mil famílias mato-grossenses ou que vieram para o Estado em busca de terra estão envolvidas em conflitos rurais.

Marcus Vaillant

Werner, Cristiano Cabral e Witter expõem violência no campo em MT

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Fórum de Direitos Humanos e da Terra e o Conselho Estadual de Direitos Humanos denunciaram mais uma vez esta situação nesta terça-feira (25).

De acordo com o coordenador da CPT em MT, o historiador Cristiano Cabral, os alvos dessa violência no campo são pobres, pequenos produtores rurais, assentados, acampados ou posseiros, indígenas, trabalhadores tratados como escravos e quilombolas, além daqueles que se colocam contra a invasão de usinas hidrelétricas nos rios locais.

A CPT afirma que, por outro lado, os agressores são fazendeiros que contratam jagunços para amedontrar, calar, expulsar ou mesmo eliminar quem os estiver incomodando em negócios rurais.

"Fazendeiros querem mais terra, querem aumentar suas fazendas, empurrar as cercas", comenta Cabral.

Ele conta que, em audiência aberta, na presença de juiz, delegado e representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), um fazendeiro chegou a dizer publicamente que gasta de R$ 9 a 12 mil por mês com pistoleiros. "Falou isso e ninguém fez nada. Se fosse o inverso, já estaríamos presos", reage o coordenador.

Para ele, "a situação ao invés de melhorar está piorando, a cada vez que valoriza mais commodities de gado e os grãos".

Marcus Vaillant

Moradores da Gleba Gama estão em risco de morte

Depoimentos

Com apoio da CPT e demais entidades que defendem a distribuição de terras, duas mulheres de Nova Guarita (697 Km ao Norte de Cuiabá), pré-assentadas na Gleba Gama, vieram à Cuiabá para tentar evitar uma nova chacina no local.

Na Gleba Gama estão em disputa 409 hectares.

Em 10 anos de pré-assentamento autorizado pelo Incra, 12 famílias afirmam que têm sido hostilizadas de toda forma por proprietários da fazenda ao lado, a Baixa Verde, de pecuária.

A identidade de ambas foi mantida em sigilo, porque correm risco de represálias.

Uma delas, de 43 anos, conta que mora na Gleba Gama com o marido e o filho de 10 anos e que o menino sofreu uma perseguição, ontem mesmo, enquanto ela está aqui na capital tentando garantir segurança na área.

"Ele ia na casa de um vizinho e mandaram voltar para traz porque não podia andar por aí, uma criança de 10 anos...Se a gente continua na terra é porque não está aqui atrás de baderna e sim de plantar o que vai comer", reage a mulher.

Divulgação PJC

Chacina é tragédia anunciada

Ela conta ainda que o filho não quer mais ir ao colégio, porque tem medo de chegar em cada, na volta da escola e encontrar os pais mortos.

A outra, de 34 anos, chorando, narra que a vida no local está insuportável, que pistoleiros não dão sossego, que passam pelos lotes aterrorizando as famílias. "Não temos um minuto de paz. Por que nos abandonaram lá assim?" - questiona, se referindo ao Estado.

Em 2013, a casa dela foi incendiada e no mesmo ano passaram com um avião liberando veneno encima dos moradores. "Ficamos intoxicados, quase morremos, corremos para hospital", lembra ela. Já ano passado, depois de muitas vezes romperem a cerca envolta do lote dela, fizeram uma cruz com a madeira, dando um aviso subliminar de morte.

Tragédias anunciadas

Somente moradores da Gleba Gama, em 10 anos, já registraram 396 boletins de ocorrência. Um calhamaço de registros policiais que não deram em nada, como reclama o sociólogo Inácio Werner, do Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso, afirmando que os casos não são devidamente investigados.

Segundo ele, ao longo dos anos, se consolidou uma verdadeira organização criminosa, no  Norte de Mato Grosso, especializada em pistolagem e grilagem de terras, com anuência dos poderes constituídos.

Na última década, segundo ele, foram registrados pelo menos 130 homicídios em Mato Grosso, decorrentes de conflitos rurais, sem que qualquer pessoa tenha sido presa ou responsabilizada por eles, o que configrua cenário de impunidade total.

O temor é que isso aconteça com relação à chacina em Colniza, ou seja, muito clamor inicial e depois disso o esquecimento.

A CPT entende que o crime no campo em Mato Grosso compensa, porque é institucionalizado, ignorado pela forte bancada parlamentar ruralista e pelos governos.

Veja este vídeo registrado clandestinamente que mostra ação truculenta de jagunço em área rural.

Gazeta Digital também está no Facebook, YouTube e Instagram   



Aguarde! Carregando comentários ...


// matérias relacionadas

Sexta, 22 de setembro de 2017

22:00 - Penas dos três acusados por chacinas somam mais de 600 anos

Segunda, 10 de julho de 2017

19:33 - ONG destaca rotina de coveiro à espera de chacina

Quinta, 22 de junho de 2017

12:44 - 'Ele chegou atirando e todos que estavam lá morreram', relata filho de vítima

11:53 - Soldado e comparsa mataram 4 por vingança após transferência

09:21 - Soldado é preso após matar 4 em prostíbulo de MT

Quarta, 31 de maio de 2017

16:19 - Força tarefa do MPE irá percorrer e registrar imagens de local de chacina

Quinta, 18 de maio de 2017

19:17 - Madeireiro é apontado como mentor de chacina

Segunda, 15 de maio de 2017

14:48 - Cinco são denunciados por chacina em Colniza

Quarta, 03 de maio de 2017

10:26 - Chacina em Colniza é fruto da omissão do Estado, denunciam especialistas

Terça, 02 de maio de 2017

18:04 - Presos 2 criminosos que mataram 9 em chacina


// leia também

Segunda, 23 de outubro de 2017

11:20 - Previsão é de chuva por 2 semanas em Cuiabá e em mais 114 cidades - Veja onde

09:52 - Médicos vão operar pelo SUS 2 crianças por sábado

09:46 - Inscrições para concurso docente na UFMT começam nesta segunda-feira

08:17 - Sem visita e escolta, mulheres de presos protestam e agentes mantêm 'greve'

07:45 - Cruz Vermelha quer ambulância para socorro na Estrada da Chapada

Domingo, 22 de outubro de 2017

15:52 - Moradores de três cidades ainda estão sem energia após temporal

13:29 - Motociclista morre ao bater em carreta em Rondonópolis

12:20 - Carretas batem de frente e dois motoristas morrem na BR-364

11:54 - Integrantes do grupo Flor Ribeirinha passam bem após grave acidente

Sábado, 21 de outubro de 2017

22:50 - Desembargador declara greve de agentes penitenciários ilegal


 veja mais
Cuiabá, Segunda, 23/10/2017
 
Facebook Instagram
GDEnem

Fogo Cruzado
titulo_jornal Segunda, 23/10/2017
00fb8b126cd455c6f67973a912cf7e56 anteriores



Indicadores Econômicos

Mais Lidas Enquete

Circula na Câmara a proposta de reduzir de 25 para 19 o número de vereadores na Capital




Logo_classifacil









Loja Virtual