Quinta, 09 de março de 2017, 17h30

Mudanças no Enem dividem opiniões


Agência Brasil
Reprodução

As mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) dividiram opiniões, e o assunto chegou aos tópicos mais comentados nas redes sociais hoje (9). As provas deste ano serão aplicadas em dois domingos seguidos – dias 5 e 12 de novembro – e não mais em um único fim de semana. Além disso, na edição de 2017, a prova de redação será no primeiro dia, junto com linguagens e ciências humanas. O segundo dia de aplicação será das exatas, com matemática e ciências da natureza.

"Graças ao Pai amado que o Enem vai ser em dois domingos porque ano passado eu quase passei mal", diz um usuário do Twitter. Outra usuária da rede social contrapõe: "Enem em dois finais de semana diferentes se resume em uma semana de estresse e sofrimento".

As mudanças foram feitas com base em consulta pública realizada pelo Ministério da Educação (MEC). Cerca de 600 mil pessoas participaram da consulta, que ficou disponível no período de 18 de janeiro a 17 de fevereiro. Dentre os participantes, 42,3% disseram preferir a prova em dois domingos seguidos; 34,1%, no domingo e na segunda-feira - sendo segunda feriado; e, 23,6% optaram pela manutenção do formato até então vigente, aplicação em um final de semana, no sábado e no domingo.

Adventista, Amanda Pereira, 18 anos, viu a alteração com bons olhos. Por conta da religião, até o ano passado, os sabatistas, pessoas que guardam o sábado, passavam a tarde toda do primeiro dia de prova em uma sala até que o sol se pusesse para, então, fazer o Enem à noite. Amanda fez o exame em 2014 e prometeu para si mesma que não repetiria a experiência.

"Foi muito cansativo, não consegui lembrar de muita coisa, estava muito cansada para ler as questões. No domingo, estava mais cansada ainda", diz. A estudante que cursa letras inglês em uma instituição particular vai fazer o Enem este ano para tentar ingressar em uma instituição pública. "Agora, eu animo."

A alteração trouxe, no entanto, desvantagens para quem pretendia fazer a prova em outra cidade. A estudante Maya Carvalho, 18 anos, mora em São Paulo, mas grande parte da família está em Brasília. Em 2016, ela fez a prova na capital federal. Agora, viajar dois finais de semana seguidos será inviável. "Prefiro ficar perto da família por conta do apoio, meu pai vai comigo até a porta da sala para me abraçar. Agora, vai ficar difícil porque terei aula na semana de intervalo entre as provas", diz.

Sobre a aplicação em dois domingos, Maya teme prejuízo para os alunos. "Eu acho meio estranho porque ao mesmo tempo em que há a ideia de que é possível se recuperar para a próxima prova com mais tranquilidade, pode-se também perder o foco dos estudos."

Dicas

O professor de português do Colégio Único, em Brasília, Marcelo Freire, estava em sala de aula quando as mudanças foram anunciadas. Ele aproveitou para discutir as alterações com os alunos. "Eles estão muito divididos".

Segundo Freire, a aplicação em dois domingos tem prós e contras, mas ele acredita que, no geral, deverá beneficiar os estudantes. "Tem-se um dia de desgaste e, depois, uma semana para a próxima aplicação. Não tem mais essa questão de domingo estar esgotado após um sábado de prova. O estudante poderá se organizar e fazer a prova com mais tranqualidade no próximo domingo", diz.

Freire também elogiou a nova distribuição das provas. No primeiro dia, o foco será em humanidades e redação e, no segundo, em exatas. Até o ano passado, os estudantes faziam, no primeiro dia, as provas de ciências da natureza e ciências humanas. No segundo, as provas de matemática, linguagens e redação.

"A aplicação das provas de redação e matemática no mesmo dia sempre gerou problemas com o tempo. As questões de matemática exigem tempo e a redação também. A mudança é positiva nesse sentido. Vai ter mais leitura no primeiro dia, vai, mas tem a vantagem de não ter cálculo. No segundo dia aumenta cálculo? Aumenta, mas o estudante não terá que fazer a redação", pondera.

Segundo ele, os estudantes também terão que mudar também a preparação. "O bom aluno é treinado para fazer questões casadas. No ano passado fazia questões de matemática e português, porque as provas eram juntas, agora terá que treinar fazer questões de humanidades juntas e de exatas juntas". Sobre a semana de intervalo entre as provas, Freire aconselha que ela não seja usada para o descanso, mas para a revisão das disciplinas de exatas. "Descanso para o estudante, só quando passar na universidade." 



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