Os problemas de Gaza são profundos e seu fim não está perto | Gazeta Digital

Terça, 15 de maio de 2018, 19h00

Os problemas de Gaza são profundos e seu fim não está perto


Estadao

Manifestações palestinas ocorrem semanalmente desde o fim de março, ao longo da fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel. O protesto mais sangrento foi o da segunda-feira, 15. Ao todo, mais de 50 palestinos foram mortos pelo exército israelense e quase 3 mil foram feridos. O território se tornou uma crise contínua sem solução próxima, sob o bloqueio israelense-egípcio e a violência frequente entre Israel e líderes do Hamas.

Condições terríveis

O corredor de 360 quilômetros quadrados ao longo do Mar Mediterrâneo fica entre Israel e Egito e abriga cerca de 2 milhões de pessoas. Depois de mais de uma década sob governo do Hamas, as condições de vida para a maioria dos habitantes é terrível. Além do bloqueio dos dois países limítrofes, a rival Autoridade Palestina (AP) também pressiona o governo local.

A taxa de desemprego é superior a 40%, a água de torneira é intragável e os moradores têm acesso a poucas horas de eletricidade por dia. Os hospitais enfrentam escassez constante, a entrada e saída de mercadorias é limitada e partes do território ainda aguardam recuperação, depois que terem sido destruídas durante o conflito de 2014 com Israel.

Os moradores de Gaza têm pouco acesso ao mundo exterior. Precisam obter autorizações difíceis de se conseguir para entrar em Israel e as viagens ao Egito são restritas a apenas alguns dias do ano. Sinais de miséria podem ser vistos nas ruas. Os jovens ficam sentados nas calçadas, sem trabalho. Os lojistas matam seu tempo nos celulares enquanto cuidam de seus comércios vazios. O cheiro de esgoto vindo do Mediterrâneo se espalha pelo ar.

História

Israel ocupou a Faixa de Gaza durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Em 2005, depois de quase 40 anos estabelecendo assentamentos na região, o governo retirou seus colonos e tropas. No ano seguinte, o Hamas, que se opõe à existência do Estado de Israel, ganhou eleições legislativas. Em 2007, o grupo tomou o controle de Gaza, que estava sob o poder da AP, cujo chefe é Mahmoud Abbas.

O Hamas mantém um controle rígido sobre o território, silenciando dissidentes, proibindo reuniões públicas e promovendo os valores conservadores islâmicos. Israel e Egito mantiveram o bloqueio para enfraquecer o Hamas e impedir a construção de bases militares. Desde então, Israel e Hamas travaram três guerras, e as tentativas de reconciliação interna no território palestino falharam.

Israel defendeu a ação militar como uma resposta aos disparos de foguetes vindos de Gaza e apontou o histórico do Hamas de cometer atentados suicidas e ataques mortíferos, especialmente durante a segunda revolta palestina da última década. As guerras mataram milhares de palestinos, mais da metade civis, e receberam fortes críticas da comunidade internacional

O bloqueio

Israel culpa o Hamas pelas condições precárias em Gaza e diz que não tem escolha a não ser manter o bloqueio, que restringe importações e exportações. O Estado israelense afirma que seu bloqueio é direcionado apenas ao grupo, e não aos civis da região, e tem permitido que a ajuda humanitária e materiais de construção entrem no território.

Israel também diz que vai diminuir o bloqueio de acordo com suas avaliações de segurança e pediu um aumento da ajuda para os palestinos à comunidade internacional. No entanto, organizações internacionais como o Banco Mundial e a ONU dizem que o bloqueio sufoca a economia palestina e pediram, repetidamente, que o governo de Binyamin Netanyahu reduza as restrições.

Quais são os próximos passos?

Os organizadores afirmam que a onda de protestos na fronteira busca romper o bloqueio e pressionar Israel a aliviar suas restrições. Mas o Estado israelense considera que o Hamas utiliza as manifestações como disfarce para atacar seu território.

Desde o início dos atos, em 30 de março, mais de 100 palestinos foram mortos pelo Exército israelense, provocando acusações internacionais de que o país usa força excessiva. O governo se justifica dizendo que defende a soberania de sua fronteira e não dá sinais de reduzir o bloqueio. 

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