Ex-presidente da Guatemala e ex-presidente da Oxfam são presos por corrupção | Gazeta Digital

Quarta, 14 de fevereiro de 2018, 15h07

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Ex-presidente da Guatemala e ex-presidente da Oxfam são presos por corrupção


Agência Brasil

O ex-presidente da Guatemala, Álvaro Colom Caballeros, e oito ex-ministros de seu governo (2008-2012), além de um ex-vice-ministro, foram presos ontem (13), acusados de fraudar e desviar milhões de dólares do sistema de transporte público implantado na Cidade da Guatemala a partir de 2009.

EFE/ Steban Biba

Ex-presidente da Guatemala Álvaro Colom é preso preventivamente, acusado de corrupção

Entre os ex-ministros detidos na operação coordenada pelo Ministério Público (MP) guatemalteco está Juan Alberto Fuentes Knight, que até ontem presidia a organização humanitária Oxfam International. Durante o governo Colom, Fuentes chefiou a pasta de Finanças Públicas.

Pouco após ser detido em sua residência, Colom disse a jornalistas que, para sua equipe, todo o projeto transcorreu dentro da legalidade. “Veremos o que diz o juiz [do caso]”, declarou o ex-presidente guatemalteco, segundo os principais veículos de imprensa do país.

Juan Alberto Fuentes também disse a jornalistas que é inocente. A Oxfam anunciou que Fuentes renunciou ao cargo para se defender das acusações “com vigor”. Colom estava à frente da entidade desde abril de 2015 – quando a organização não-governamental (ONG) anunciou que sua nomeação coincidia com uma “importante mudança institucional, em um momento em que a Oxfam se reorganiza para se converter em uma entidade mais global, dinâmica e influente”.

Acusações de exploração sexual

A prisão de Fuentes é mais um duro golpe na credibilidade da organização não-governamental (ONG), que enfrenta acusações de que dirigentes locais e colaboradores pagavam para ter relações sexuais com mulheres no Haiti, no Chad e no Sudão do Sul. No Haiti, onde a prostituição é proibida, os casos teriam ocorrido logo após o terremoto que devastou o país, em 2011.

Os escândalos sexuais motivaram a diretora adjunta da Oxfam, Penny Lawrence, a pedir demissão do cargo, lamentando os ocorridos. “Me envergonho de que isto tenha sucedido sob o meu mandato e assumo toda a responsabilidade”, lamenta Penny Lawrence em nota divulgada pela Oxfam. “Sinto profundamente o dano e a angústia gerada naqueles que apoiam a Oxfam, em todos os setores e, sobretudo, nas pessoas em situação de vulnerabilidade que confiaram em nossa organização.”

A Oxfam Brasil se manifestou hoje (14) sobre os casos, afirmando que os abusos sexuais “são revoltantes e inadmissíveis”. Segundo a instituição, uma comissão independente investigará os casos relatados e os processos de recrutamento estão passando por uma revisão. “Não pode haver espaço na Oxfam para quem abusa da posição de poder e da confiança de milhares de pessoas”, disse a instituição em nota.

A filial brasileira também se manifestou sobre a prisão de Fuentes e considerou que seu indiciamento e prisão provisória tornaram “insustentável sua permanência no cargo de presidente do Conselho da Oxfam Internacional, ainda que o caso seja do período anterior ao seu mandato com a organização”, completou.

Fraudes na Guatemala

Segundo a Procuradoria-Geral da Guatemala, os indícios de irregularidades na gestão do chamado Transurbano indicam que cerca de US$ 35 milhões foram desviados por meio de mecanismos legais fraudulentos. De acordo com o MP, agentes públicos e empresários de transporte participavam do esquema.

Investigadores da Promotoria Especial Contra a Impunidade, do Ministério Público e da Comissão Internacional Contra a Impunidade analisaram documentos, mensagens eletrônicas e a movimentação financeira dos suspeitos, bem como as normas legais e os procedimentos administrativos aprovados no período sob suspeita.

De acordo com o MP, testemunhas afirmaram que, em 2007, a Associação de Empresários de Ônibus (AEAU), não só financiou parte das campanhas eleitorais dos dois principais candidatos à presidência do país, como mobilizou eleitores – um dos favorecidos foi Álvaro Colom, que acabou eleito.

Ainda segundo o MP, após a vitória de Colom, a associação de empresários se organizou para “monopolizar” o sistema de transporte público, criando quatro empresas anônimas com o propósito de captar os recursos destinados ao Transurbano. 

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