Brasileiro preso pelo chavismo relata violência psicológica, mas nega abuso | Gazeta Digital

Terça, 09 de janeiro de 2018, 15h28

11 dias preso

Brasileiro preso pelo chavismo relata violência psicológica, mas nega abuso


Estadao

O brasileiro Jonatan Moisés Diniz, libertado na semana passada depois de passar 11 dias preso na Venezuela, publicou mensagem nesta terça-feira, 9, em sua conta no Facebook, relatando os detalhes de seu cárcere e sua visão sobre ocorrido.

Entre outras coisas, Diniz afirmou que não sofreu abusos sexuais enquanto esteve preso em uma cela de 8 metros quadrados com outros 8 venezuelanos, apesar de ter sido obrigado a ficar nu em várias ocasiões - ele relatou ter sido fotografado em algumas delas. Ele também disse que não pôde deixar a cela para tomar sol "nem por 10 minutos" e só saiu do local para "assinar mais papeladas".

Reprodução

"Os 11 dias não pude receber visita, fazer chamada ou nenhuma outra coisa", descreveu o catarinense, que mora na Califórnia, nos Estados Unidos. "Tentaram colocar terror psicológico falando que eu poderia ficar lá tanto 1 como 1000 dias, que ninguém havia me procurado e ninguém nem se quer (sic) sabia de minha prisão", completou em seu relato.

Diniz também disse ter recebido comida dos responsáveis pela prisão apenas em 2 ou 3 dias. "Os outros 8 presos que estão lá a (sic) quase 3 anos não recebem nenhuma comida, tendo que a família deles viajar todos os dias para levar algo para eles sobreviverem e foi da comida de meus colegas de cela que me alimentei", detalhou. "Porque se fosse depender do Sebin (o serviço de inteligência da polícia venezuelana) eu tava (sic) fu****."

Ele relatou que os detentos se dividiam entre um colchão e uma treliche, segundo Diniz, em péssimas condições, para dormir. O local também não contava com vaso sanitário ou chuveiro. "Fazer as 'necessidades' tinha que ser na frente de todos e o cheiro nem sempre era dos melhores por a cela ser muito pequena e com tanta gente e quase nenhuma ventilação", escreveu.

Apesar das privações e do sofrimento, ele apontou um aspecto que não considerou tão ruim nos dias em que esteve preso: a cela tem uma televisão e os detentos dispõem de muitos filmes para passar o tempo. "Meus companheiros de cela eram pessoas muito humanas e queridas, faço minhas orações para que eles encontrem suas liberdades logo."

Entre as acusações que alega ter sofrido, o brasileiro disse que tentaram conectá-lo a "Oscar Perez (sic) e o grupo da Resistência na Venezuela" - o ex-piloto da polícia venezuelana Óscar Pérez é acusado de terrorismo e procurado por ter lançado granadas e atirado de um helicóptero contra prédios do governo em junho - com objetivo de "incentivar os presidiários a me odiar".

"De verdade, essas pessoas estão com tanto medo de perder o poder que já estão alucinando", escreveu em relação ao número 2 dois chavismo, Diosdado Cabello, que usou seu programa na televisão estatal venezuelana para anunciar a prisão do brasileiro no dia 27 de dezembro.

Sobre o momento em que foi preso, o brasileiro relatou que estava com amigos bebendo cerveja em uma praia quando foi abordado por um homem que alegou trabalhar para a polícia, apesar de vestir roupas civis. "(Ele) me tirou da praia ameaçando com a arma, tirou meus dois relógios que usava e os repassou como penhora na conta do bar já que não me deu a chance de eu pagar minha conta", explicou.

Diniz esclareceu ainda que na véspera de sua libertação foi levado até o Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (Saime), órgão público responsável pela emissão de documentos para venezuelanos e estrangeiros no país, onde foi obrigado a assinar sua expulsão e um documento que o proíbe de voltar à Venezuela pelos próximos dez anos.

Por fim, ele disse que teve o voo para o Brasil alterado de última hora para os EUA sob alegação de que deveria voltar para onde reside e não para seu país de origem. "Tomei meu voo direção (sic) Miami e logo direção (sic) Los Angeles, guardei segredo de minha localização simplesmente porque evito aparecer na televisão ou dar qualquer entrevista", concluiu. 

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