Polícia confirma 5 mortes em chacina em gleba | Gazeta Digital

Quinta, 20 de abril de 2017, 15h34

Polícia confirma 5 mortes em chacina em gleba

Silvana Ribas, repórter do GD


Atualizada às 18h49 - Chacina em área de conflito agrário resultou em cinco mortos, na zona rural de Colniza (1.065 km a noroeste de Cuiabá). A confirmação veio no início da noite desta quinta-feira (20), por meio da equipe de policiais civis e peritos que se deslocaram para a região, sob o comando do delegado Edson Ricardo Pick.

As informações iniciais eram de que o número de mortos poderia chegar a 10, já que haviam pessoas desaparecidas. Mas as buscas continuam na região e o número resulta de uma avaliação preliminar.

O ataque teria como alvo o assentamento da Gleba Taquaruçu do Norte, distante cerca de 250 km do perímetro urbano de Colniza. Lá, cerca de 100 famílias sobrevivem da agricultura de subsistência.

Divulgação PJC

Rodovias com lamaçais e pontes submersas dificultam o acesso a gleba

No início da tarde de hoje policias civis da região e peritos se deslocaram para a área, sob o comando do delegado Edson Ricardo Pick. A maior dificuldade está no acesso da região, já que as estradas são precárias e no percurso existem várias pontes que estão submersas.

Segundo a investigadora Elisângela Nunes, da Polícia Civil de Colniza, a informação sobre a chacina chegou pela manhã ao núcleo da Polícia Militar do Guariba, localizado distante cerca de 100 quilômetros da área do conflito. No destacamento apenas seis policiais atuam e informaram o fato ao comando PM mais próximo que repassou a informação à Policia Civil.

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), uma equipe de policiamento especializado da Capital deve seguir para a área, tão logo as condições climáticas permitam, já que o deslocamento será por helicóptero.

Segue na íntegra nota emitida pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Mato Grosso (Fetagri-MT) sobre a chacina.

"A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Mato Grosso (Fetragri-MT) cobra providências ás autoridades competentes sobre a chacina que pode ter vitimado aproximadamente 10 pessoas, entre adultos e crianças, na Gleba Taquaraçu do Norte, na região de Colniza (a 1.018 km de Cuiabá).

Conforme informações da Secretaria Estadual de Segurança Pública, pessoas encapuzadas invadiram, nesta tarde, uma área da gleba e mataram dez pessoas, entre crianças, adultos e idosos.

A localidade fica distante a cerca de 200 km da sede da cidade. Em 2011, o local já foi palco da expulsão de cerca de 700 famílias.

Em 2014, um casal foi assassinado na mesma região, por conflitos agrários. O presidente da associação Aspronu (Associação de Produtores Rurais Nova União), Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos, foram assassinados no dia 16 de agosto de 2014. A execução revoltou moradores da região, já que todos sabiam que o casal iria realizar várias denúncias à ouvidoria Agrário Nacional.

Segundo informações da Polícia Civil de Colniza, os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo 9mm, que é de uso restrito. “Os dois foram baleados na cabeça e Ireni ainda levou um tiro na mão”, disse um policial.

Providências

A Fetagri-MT lamenta o agravamento do clima de tensão na região, e cobra providências das autoridades responsáveis. Até o presente momento, o assassinato do casal em 2014 não foi solucionado, o que preocupa muito a entidade. A Federação cobra apuração dos fatos e a severa punição aos responsáveis pelos crimes, para evitar que outros casos ocorram em outras regiões do estado.

A entidade lamenta a falta de compromisso e responsabilidade das autoridades estaduais e federais em resolver os conflitos agrários em Mato Grosso, o que acaba prejudicando e ceifando vidas de trabalhadores e trabalhadoras rurais no estado.

Outro caso que ainda não teve punição aos responsáveis é o assassinato de Maria Lucia do Nascimento, no dia 13 de agosto de 2014, Maria Lucia foi assassinada com três tiros fatais, no município de União do Sul.

Maria Lúcia era assentada na Gleba Macaco, no Assentamento Nova Conquista 2, área reconhecida legalmente como terra pública da União, onde coordenava a luta pela regularização do Assentamento que conta com 25 famílias de trabalhadores (as) rurais. Também foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, onde atuou na defesa intransigentemente dos direitos da categoria."
 



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