Por que os torcedores do Corinthians tentaram agredir o Andrés Sanchez | Gazeta Digital

Domingo, 04 de fevereiro de 2018, 08h01

Esporte

Por que os torcedores do Corinthians tentaram agredir o Andrés Sanchez


R7

Mal foi divulgado o resultado das eleições para a presidência do Corinthians, Andrés Sanchez, foi cercado. Não por torcedores organizados entusiasmados, como aconteceu em 2007, quando foi pela primeira vez eleito para o cargo. Não. Desta vez, membros das principais torcidas corintianas deram uma prensa histórica em Andrés.

Eles invadiram à força o ginásio onde acontecia a votação.

O encurralaram. Começaram a gritar, a empurrá-lo, a xingá-lo. Um copo de plástico, cheio de cerveja, voou na direção do seu rosto. Seguranças tratavam de proteger o deputado federal.

A situação estava ficando perigosa. Os torcedores perdiam o medo. E passaram a gritar, perto do seu rosto.

"Aqui não tem burguês"

"Preste atenção, respeite a camisa do Timão."

Cabos eleitorais se afastavam, com medo de serem agredidos. Até mesmo os outros candidatos derrotados se assustaram. Não esperavam tamanha ousadia e violência dos torcedores. Eles empurravam jornalistas que tentavam se aproximar do deputado federal do PT.

A saída, constrangedora, foi decidida por seus truculentos seguranças.

O arrastaram para a porta do banheiro feminino.

E fizeram um círculo. Dentro dele, Andrés e os jornalistas.

"Volto mais maduro, mais consciente, mais preparado, ciente da exigência que faz o corintiano. Vou tentar cumprir da melhor maneira possível, com atenção e respeito a todos. Todo mundo tem que trabalhar em prol do Corinthians.

"Vamos pegar os melhores projetos e melhores ideias de todos os candidatos e tentar fazer o time mais competitivo e campeão possível", dizia, enquanto se preocupava, com os torcedores que seguiam gritando, xingando, tentando se aproximar dele.

Depois de superficiais declarações, o clima bélico seguiu no Parque São Jorge. Com direito até a agressão ao repórter da ESPN, Flávio Ortega. Além disso houve brigas entre os correligionários de Andrés e membros de outras chapas.

Quando os jornalistas se afastaram de Andrés, os torcedores tentaram se aproximar de vez, depois de 20 minutos encurralado na porta do banheiro feminino. Foi quando, o deputado federal acabou quase que arrastado para o carro de um dos seus assessores.

Quando saiu do ginásio do Parque São Jorge, em direção ao automóvel, inúmeros torcedores passaram a chamá-lo de 'ladrão'. O cerco continuou. Até ele entrar deitar no banco de trás do carro, com um boné. E o automóvel sair, à toda, do Corinthians.

Andrés conseguiu 33,9% dos votos e derrotou Paulo Garcia, com 834 votos (22,9%), Antonio Roque Citadini, com 803 votos (22%), Felipe Ezabella, com 461 votos (12,7%) e Romeu Tuma Júnior, com 278 votos (7,6%) - mais 18 sócios votaram nulo. E 13 em branco.

Mas a grande pergunta é porque tanta ira contra Andrés Sanchez?

Ele foi levado à presidência do Corinthians em 2007 e fez seu grupo Renovação e Transparência chegar a 11 anos no poder. Elegeu Mario Gobbi e Roberto de Andrade, antes de retornar hoje ao cargo. Se tivesse apoiado Pablo Vittar e Luan Santana, e não Gobbi e Andrade, teria feito dos cantores, presidentes corintianos.

Só que a sede de poder afastou Andrés Sanchez de sua base, as torcidas organizadas. Com elas ao seu lado, o fundador da Pavilhão Nove, mostrava força e levava até medo aos conselheiros. Roque Citadini, que foi vice do deposto Alberto Dualib, batizou Andrés e os torcedores de 'baixo clero'.

Só que com a íntima ligação com Lula, a construção do estádio corintiano, o cargo de coordenador de Seleções na CBF e, finalmente, a posse como deputado federal pelo PT, o afastou dos torcedores organizados.

Há grupos que acusam Andrés de elitizar o futebol. E tornar o preço dos jogos inviáveis para a camada pobre, maioria nas organizadas. Também reclamam que, depois de ter conseguido o poder, ele mudou. Os membros das torcidas não têm mais livre acesso à diretoria. O auxílio financeiro aos torcedores também teria diminuído.

O descontentamento foi personalizado em Andrés. Os principais chefes das organizadas sabem muito bem que ele segue sendo o comandante, o responsável por tudo de importante que acontece há 11 anos no Corinthians.

Daí, a revolta.

Andrés não esperava tamanho constrangimento.

Pessoas ligadas a ele sabem que só há uma solução.

Voltar a conviver com os comandantes das organizadas.

Dar novamente mais apoio, até financeiro.

Só assim terá paz para comandar o Corinthians.

Clube heptacampeão brasileiro.

Mas que está preso a uma teia de aranha.

O estádio.

Situação criada e mal resolvida por Andrés.

E que fez o Corinthians dever quase dois bilhões de reais.

Esperto, o presidente fala em time, Ronaldo, novo CT para os garotos.

Mas sabe.

Se não resolver duas questões, seus próximos três anos serão infernais.

O Itaquerão.

E o relacionamento com as bélicas organizadas.

Torcedores que levou para dentro do Corinthians.

Mas que agora se voltam contra ele...

 

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