Promessa de queda no preço das passagens não é cumprida | Gazeta Digital

Segunda, 09 de julho de 2018, 08h21

Promessa de queda no preço das passagens não é cumprida

Karina Arruda, repórter de A Gazeta


A desregulamentação da franquia de bagagem completa 1 ano de implementação pelas companhias aéreas sem demonstrações efetivas de queda no preço das passagens como foi prometido na época pelas empresas. Ao contrário, tarifa aérea doméstica fechou o 1º trimestre do ano com alta de 7,9%, segundo levantamento divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Rafaella Zanol/Secid-MT

Para os agentes de viagens de Mato Grosso é difícil estimar se houve alteração nos preços desde que a medida passou a ser adotada, mas para os usuários do transporte aéreo a percepção é de que estão pagando cada vez mais por um serviço que oferece menos “comodidade” a cada dia, como a retirada da franquia de bagagem de 23 kg e das refeições, que antes eram inclusas no valor das passagens.

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Depois de 12 meses ainda não é possível observar baixa no preço da passagem. A própria Anac indica alta de 7,9% no 1º trimestre de 2018, quando a tarifa aérea doméstica chegou ao custo médio de R$ 361,03, com acréscimo de R$ 26,54 perante o mesmo trimestre de 2017 (R$ 334,49). Segundo a agência, a alta de 2018 foi puxada pelo aumento na taxa de câmbio (3,2%) e no preço médio da querosene de aviação (18,5%). Por outro lado, a demanda por transporte aéreo doméstico apresentou alta de 3,4% no mesmo período e as 4 principais companhias aéreas brasileiras apresentaram lucro líquido somado de R$ 369,2 milhões, ante resultado positivo de R$ 92,6 milhões no 1º trimestre de 2017.

Para a dona de casa Érica Romoda, 39, que viajou de Cuiabá para Boa Vista (RR) na última semana, a franquia para o despacho de 4 malas teve o custo de R$ 240, sendo R$ 60 por unidade. “Eu acho um absurdo. Já é cara a passagem e você precisa pagar a bagagem separada porque em 10 quilos não cabe nada. Quando eu vim, antes da mudança, a bagagem não foi paga”, relata. O custo com a franquia das bagagens equivale a cerca de 10% dos R$ 2 mil pagos nas 4 passagens para ela e os filhos.

Divulgação

O militar Adroaldo Maia, 51, do Ceará, esteve em Cuiabá e voltou ao estado de origem com 6 malas, ao custo de aproximadamente R$ 300 por trecho. Ele reclama que na década de 1990 as companhias áreas ofereciam mais serviços aos clientes, como bebidas alcoólicas, sem custo adicional, que vem reduzindo a cada dia, porque as empresas precisam “capitalizar” e, em contrapartida, não perdem os clientes, pois estes precisam viajar.

“Paguei por 138 kg e suponho que se ultrapassar (o peso) vou pagar tarifa extra pelo excesso de bagagem”. Ele acredita, no entanto, que a lei favorece os passageiros que levam maior quantidade de bagagens. Já a artesã Angela Gusmão, 68, de Angra dos Reis (RJ), passou 14 dias em Cuiabá “matando” a saudade da família. Comprou a passagem sem a franquia da bagagem e ao embarcar teve uma surpresa para despachar uma bagagem com menos de 23 kg.

“Pagar R$ 100 é um absurdo porque a gente vem e quer levar uma lembrança e tem que pagar por algo que acho que deveria ser direito, porque não vamos andar sem levar roupas e lembrança da cidade”, critica. Ela desconhecia a mudança na franquia da bagagem, mas se tivesse pago antecipadamente, o custo para despachar a bagagem seria de R$ 50, metade do valor pago na hora do embarque.

Evandro dos Santos, 38, é funcionário público e viaja com frequência. Afirma que os preços não baixaram e tem que desembolsar mais pela franquia da bagagem. “Não houve mudança. A promessa de redução da tarifa da passagem não se efetivou. Eu comprava antes e continuo comprando e não há variação de preço que justifique a cobrança”, reclama. Ele despachou uma bagagem por R$ 50 na hora do embarque do voo para a Argentina e pagou R$ 32 por outra antecipadamente. “Se fosse com dinheiro ainda custaria R$ 100, talvez pelo custo operacional para o transporte”.

Otmar de Oliveira

Para aqueles que atuam no segmento de agências de viagens, não houve alteração nos preços. O consultor de viagem Ricardo Arruda, considera que as tarifas mantiveram os preços em relação ao ano passado. Por outro lado, ele pondera que os valores são altos em relação aos voos internacionais. “No começo os clientes reclamaram, mas já se adaptaram e costumam comprar a franquia para viagens mais longas, a partir de 4 ou 5 dias”. Já o presidente da

Associação Brasileira dos Agentes de Viagens em Mato Grosso (Abav/MT), Joari Proença, não soube estimar se os preços baixaram, porque o valor da tarifa varia muito ao longo do ano. “Há baixa, mas também há alta, porque teve aumento no combustível e outros fatores que provocam esse aumento para fazer uma aeronave decolar”.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) reafirma que, desde a entrada em vigor das novas regras das bagagens, as companhias aéreas passaram a oferecer uma classe tarifária com valores menores. “Hoje, cerca de dois terços dos bilhetes são vendidos nesta categoria. Entretanto, o querosene de aviação, nos últimos 12 meses, teve aumento de quase 45%, o que compromete, em média, um terço do preço do bilhete.

O dólar acumula alta de 16,4% este ano, impactando diretamente os custos dolarizados do setor aéreo (cerca de 60%)”. A entidade complementa que as companhias vêm buscando alternativas para evitar repassar os custos integralmente aos passageiros e uma das formas é majorar os serviços adicionais (como bagagem e assento), evitando impactar ainda mais o bilhete básico.

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