Torcer para quê? | Gazeta Digital

Quarta, 13 de junho de 2018, 00h00

Editorial

Torcer para quê?

Da Editoria


Faltando 1 dia para a abertura e o 1º jogo da Copa do Mundo da Rússia de 2018 e a 4 dias da estreia da Seleção Brasileira no Mundial de Futebol, os ânimos de muitos brasileiros ainda não sintonizaram aquele antigo entusiasmo que pairava sobre o país em períodos como este, às vésperas do início de um evento mundialmente importante e tão relevante para a história futebolística do Brasil. Ao longo desta semana, a todo momento percebe-se a divulgação de pesquisas de intenção de compras, de movimento no comércio e até instigam-se apostas em quem será o grande campeão, tudo motivado pela Copa.

Uma das pesquisas que demonstra que os brasileiros não estão tão envolvidos como historicamente o faziam, especialmente depois de ser sede dos jogos do último Mundial (isso também tem um peso importante, pois jamais se verá uma empolgação como a de 2014) foi divulgada nesta terça-feira (12) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

De acordo com o levantamento, 24% das famílias brasileiras têm intenção de consumir produtos relacionados ao Mundial de Futebol deste ano, percentual que representa menos da metade dos registros de intenção medidos às vésperas da Copa realizada no Brasil em 2014, quando 50% das famílias pretendiam comprar alguns itens para se vestir ou enfeitar a casa ou empresa. Segundo a entidade, o estudo foi realizado em todas as capitais e regiões metropolitanas, e entrevistou cerca de 18 mil consumidores.

Como é possível de prever, entre os produtos mais procurados estão alimentos e bebidas (9,9%), itens de vestuários masculino, feminino e infantil (7,5%) e aparelhos televisores (4,3%), já que muita gente aproveita as promoções realizadas pelas lojas para a troca da televisão. Há também outros setores que se beneficiam deste movimento como bares, restaurantes e clubes, que fazem programações especiais para receber os torcedores que preferem assistir aos jogos em outros lugares, fora de casa.

O baixo ânimo dos brasileiros tem tudo a ver com o momento pelo qual passa o país. Depois de uma aguda crise econômica, com grande participação da política nas suas causas, a população ainda não recuperou a autoestima e tem muito pouco motivo para torcer pelo país. Por mais que sejam atletas, cada um com sua história e amor pela Seleção, as pessoas não conseguem esquecer tudo o que está acontecendo. Escândalos e mais escândalos de corrupção são divulgados diariamente nos noticiários, empresários e políticos são investigados e presos quase que todos os dias e a população é quem verdadeiramente paga o pato, já que tudo que consome está ficando mais caro.

Para relembrar, como se fosse possível esquecer, os combustíveis ficaram mais caros no último ano, o gás de cozinha, os remédios, os alimentos e outros tantos serviços tiveram os preços reajustados acima da inflação do último ano. Em compensação, os salários continuam achatados, com pequenos reajustes, e o mercado de trabalhado inflado de gente à procura de emprego. Para se ter uma noção disso, o 1º trimestre deste ano terminou com uma taxa de desocupação de 13,1%, acima da verificada no último trimestre de 2017, quando pontuou em 11,8%. No período analisado, o universo de pessoas desempregadas no país saltou de 12,3 milhões para 13,7 milhões, um incremento de 11,3% em número, ou 1,4 milhão de pessoas a mais nesta condição.

E para completar o cenário de desalento dos brasileiros, 2018 é ano de eleições majoritárias, em que serão eleitos presidente da República, senadores, deputados federais e estaduais e governadores. Representantes do povo no Legislativo e no Executivo, poderes que sofrem altos índices de rejeição e que não passam nenhuma confiança aos cidadãos. Com todo esse cenário nesta Copa, os brasileiros vão torcer para quê?

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