Inteligência artificial e geração Y | Gazeta Digital

Terça, 17 de abril de 2018, 00h00

Inteligência artificial e geração Y

Renato de Paiva Pereira


Os garotos da geração Y, também chamados de millennials, vêm dando o que falar. Muito mais, eu acho, pelos exageros de avaliação dos adultos do que por suas celebradas virtudes ou decantados defeitos.

Julgamentos apressados garantem que esses jovens nascidos no meio da revolução tecnológica, têm mais talentos ou são mais inteligentes que os de gerações anteriores. Outros dizem que eles são desligados, inconsequentes, preocupados somente com seus brinquedos tecnológicos e redes sociais. Há ainda os que atribuem a esta geração origem cósmica e dons especiais, necessários para introduzir uma nova era de paz e prosperidade na terra.

Todos esses juízos são tendenciosos ou incompletos, pois na verdade eles (esses jovens) somente nasceram em uma época diferente e as qualidades que lhes atribuímos ou retiramos, são simples conceitos nossos. O problema é que essas formulações nos fazem mudar o comportamento em relação a eles, tratando-os conforme o modelo mental que criamos.

Observo três atitudes em relação a eles. Uma parte da população condena o senso de obsolescência e efemeridade que são características comuns dos jovens de hoje. Outros, pais e mães deles, os consideram gênios, vivem babando com seus feitos e os abastece de toda tecnologia recém-inventada. Uma terceira turma, felizmente ainda muito pequena, acredita que essa geração iluminada vai modificar o mundo.

Claro que estamos em uma época de profundas transformações. A "inteligência artificial" que já transformou o mundo nos últimos 15 anos, por certo trará ainda muitas e maiores novidades: empresas serão extintas, profissões eliminadas, o conhecimento mudará de rumo e os comportamentos acompanharão toda esta dinâmica.

Mas nessa modificação não há nenhuma transcendência, é fruto da inteligência humana, que criando a IA e emprestando-lhe poder através de configurações, programações e algoritmos, finge que a máquina está no comando da sociedade, o que é simples ficção.

Da mesma forma que criamos a IA e acabamos guiados por ela, porque a programamos para isso, também, elaborando conceitos sobre as gerações Y, e educando-os conforme essas teses, os "programamos" para alterar o mundo, pra melhor ou para pior. O problema é que podemos mudar a programação da IA se ela se mostrar equivocada, mas nos seres humanos ela é definitiva.

O caso da "pedagogia positiva", aquela que proíbe passar qualquer mensagem negativa para os educandos, apontar seus erros, por exemplo, é um caso concreto da capacidade dos adultos de criarem demandas falsas. Dizem que tais práticas são exigências da geração Y por serem mais independentes, criativos e questionadores. Na verdade não passa de teorização dos professores, aplaudidos por pais imaturos, que se pelam de medo de enfrentar os filhos.

A inteligência artificial (IA) a rigor não existe, pois é somente a evolução do engenho humano, com sua natural e irrefreável progressão. O super poder da geração Y, a despeito de seu ineditismo, por enquanto também é uma abstração. Descendentes, em todos os tempos, sempre acrescentaram alguma coisa, com maior ou menor velocidade, ao conhecimento dos pais.

Geração Y e inteligência artificial são consequências naturais do acúmulo de experiências passadas de pais para filhos, não de um progresso abrupto da inteligência humana, pois o processo evolutivo caminha lentamente, sem saltos ou solavancos.

Renato de Paiva Pereira empresário e escritor

Contato: renato@hotelgranodara.com.br

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