O legado de Maggi | Gazeta Digital

Quarta, 14 de março de 2018, 00h00

O legado de Maggi

Vanderlei Munhoz


O ex-governador de Mato Grosso, senador licenciado e ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, anunciou que não disputará cargo eletivo nas eleições de 2018. Curiosamente ele sai do processo eleitoral em um momento em que é tida como certa sua reeleição ou até mesmo uma nova eleição para governador. Basta ele querer e será eleito sem nenhuma dúvida! Dizem muitos.

E por que deixa neste momento a vida pública? Por que abre mão da prerrogativa de foro?

Blairo disse que quer viver, aproveitar enquanto tem saúde a companhia da família, dos filhos e netos: "... políticos vivem uma agenda pública, significa abrir mão do convívio da família..."

Está denunciado pelo Ministério Público e vai abrir mão do tão disputado "foro privilegiado". Blairo abre mão porque diz ter a consciência tranquila. Sabe que será preciso um embate jurídico, disse que irá enfrentá-lo e não temer.

Todos nós sabemos que quem persegue o foro privilegiado são os dilapidadores do erário público, os sanguessugas, os vampiros que promovem matanças em filas da saúde pública e nos corredores dos hospitais sucateados, aqueles que promovem a insegurança pública em que vive a nossa população e que projetam para a criminalidade uma juventude sem estímulo de trilhar os caminhos de uma educação pública dilacerada. São esses os que compram com o dinheiro público roubado e por alto preço, a reeleição e a prerrogativa de foro. Blairo abre mão do foro.

Que legado deixa Maggi?

Em seu governo estourou o escândalo dos maquinários, cujo valor desviado parece gorjeta perto dos desvios revelados nos escândalos seguintes. Em seu governo surgiu Eder Moraes, um iniciante entre os gigantes de uma quadrilha que há anos estava instalada no poder público de Mato Grosso. Blairo foi delatado e aparece na lista de recebimento de doações que indicam o que todos sabem que existe em todas as campanhas políticas: o caixa 2. Sabe das implicações que tem por ter sido denunciado, mas reafirma com convicção: "... a questão de foro, se eu tivesse receio disso, eu iria disputar a eleição (...) não estou negando que tem que responder, irei responder com toda a tranquilidade os assuntos que foram colocados..."

Não aposto em sua inocência, mas vejo que pretende responder pelos seus atos e enfrenta a situação de peito aberto e de cabeça erguida.

Ao desistir, abre espaço para que velhas raposas se sintam animadas porque se ampliam as chances em 100%, já que uma das vagas era tida como sua. E quem se agita são as velhas raposas que pretendem se perpetuar ou voltar ao poder. Aqueles que pretendem continuar sangrando os cofres públicos e gozar do foro. Garantir a qualquer preço (e com dinheiro roubado, repito) uma reeleição e o foro é próprio das raposas, principalmente aquelas que, com desculpas que nos envergonham, tentam justificar seus flagrantes chamando os eleitores de burros.

A meu ver, o legado que Maggi deixa, independentemente do que será revelado a seu respeito, é que se faz necessário abrir espaço para que outros possam representar o cidadão, que outros vivam a experiência e possam contribuir com a gestão pública com suas ideias e ações, que uma cadeira no executivo ou legislativo não pode ser ocupada por uma única pessoa e que a renovação é salutar e só traz benefícios a todos, mas acima de tudo, o maior legado que deixa é abrir mão do poder para estar com a família dizendo: "...eu quero é ter um pouco de tranquilidade agora, que eu acho que posso fazer isso ainda, eu a... minha família, meus netos e tudo mais..."

Não o conheço pessoalmente, nunca conversamos ou sequer fomos apresentados, mas não deixo de admirá-lo por entender que a família é nosso maior patrimônio e passo a torcer por sua vitória nos embates jurídicos que terá pela frente.

Vanderlei Munhoz é radialista em Mato Grosso

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