Diferenças de gênero e de cor | Gazeta Digital

Sábado, 10 de março de 2018, 00h00

Diferenças de gênero e de cor

Jairo Pitolé Sant"Ana


Na quinta-feira, durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher, ouvi numa rádio, enquanto estava no trânsito, o depoimento de um senador da República, lamentando a pequena presença da mulher no parlamento brasileiro, enquanto em outros países, disse ele, este percentual ultrapassa os 60%.

Recorro ao "São Google" pra confirmar as informações. Sim, um pequeno país centro-africano, pouco menor que o município de Colniza, mas com uma população superior a 11 milhões de habitantes, é o primeiro da lista, quando o assunto é participação da mulher no parlamento. Em Ruanda, segundo a Inter-Parliamentary Union (IPU), o percentual era de 61,3% em dezembro de 2017.

Uma das causas para essa reviravolta na organização social do país foi uma guerra civil marcada pelo genocídio de 800 mil pessoas, em 1994, considerado o maior da história recente. (Só para lembrar: anualmente no Brasil ocorrem quase 100 mil mortes violentas, por assassinatos [61.619, em 2016] ou em acidentes no trânsito [34.850, dados preliminares de 2016, segundo o site Portal do Trânsito]. Entre 2011 e 2015, 496.678 pessoas morreram desta forma neste país, média de 11 pessoas a cada hora).

Mas, voltando à questão da participação da mulher no parlamento. O Brasil, embora tenha cota eleitoral para candidaturas femininas, está no fim da lista. Entre 190 países, está no 152º lugar. Além de Ruanda, entre os 10 primeiros estão quatro latino-americanos (Bolívia, Cuba, Nicarágua e México), três nórdicos (Suécia, Finlândia e Noruega) e dois africanos (África do Sul e Senegal).

No Brasil, segundo levantamento do IBGE feito em dezembro do ano passado, o percentual era de 16% no Senado e 10,5% na Câmara dos Deputados. Em nenhum dos parlamentos havia representantes dos estados de Mato Grosso, Paraíba e Sergipe.

Na vida social e econômica, o espaço da mulher também é menor em relação ao homem. Neste mesmo levantamento, mesmo com mais estudos, ocupavam menos cargos gerenciais (37,8%) e tinham rendimento médio 25% menor que o dos homens. O gênero interfere no social. Há uma grande desigualdade entre as mulheres, segundo sua cor. Enquanto 23,5% das mulheres brancas completaram o ensino superior, entre as negras e pardas este percentual é bem menor (10,4%).

Ah! No país da Lei Maria da Penha, em 2014, apenas 7,9% dos municípios brasileiros contavam com uma delegacia especializada da mulher.

Jairo Pitolé Sant"Ana é jornalista em Cuiabá. Sócio da Coxipó Assessoria de Imprensa. E-mail: coxipoassessoria@gmail.com

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