Cirurgião-dentista no ambiente hospitalar | Gazeta Digital

Sexta, 09 de março de 2018, 00h00

Cirurgião-dentista no ambiente hospitalar

Luiz Evaristo Volpato


Centenas de microrganismos, dentre eles bactérias, fungos e vírus estão presentes na boca das pessoas. Muitos deles têm potencial para desenvolver doenças que afetam os tecidos bucais como a cárie e doenças periodontais, além de alterações em outras partes do organismo, como infecções cardíacas.

No caso de indivíduos saudáveis, o hábito de manter a saúde bucal, por meio da escovação e uso do fio dental, possibilita o equilíbrio bucal e o controle dos microrganismos presentes na boca.

Porém, se um paciente está internado em um hospital, sem condições de manter essa higiene bucal haverá um desequilíbrio entre os tecidos bucais e os microrganismos presentes. Além do mais, o paciente encontra-se com o sistema imunológico debilitado. Nessas condições, microrganismos que estavam controlados podem representar um grave risco.

Os pacientes hospitalizados muitas vezes encontram-se em ventilação mecânica, quando o oxigênio chega aos pulmões por meio de um tubo, por onde microrganismos bucais conseguem chegar até o pulmão e causar graves pneumonias.

Além disso, muitas alterações da saúde geral manifestam-se inicialmente na boca e uma inspeção criteriosa dos tecidos bucais por profissionais capacitados poderá levar ao diagnóstico precoce de uma doença sistêmica em estágio inicial. Em pacientes com a saúde debilitada, pode ser a diferença entre a vida e a morte. Dessa maneira, fica muito clara a importância do cirurgião-dentista integrando a equipe multiprofissional que assiste aos pacientes em ambiente hospitalar.

No ano de 2008 foi apresentado, na Câmara Federal, um projeto de lei com o objetivo de tornar obrigatória a presença de um profissional da odontologia nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O PL passou pela Comissão de Seguridade Social e Família e, dada à importância do assunto, recebeu incremento: a obrigatoriedade da assistência odontológica a todos os pacientes que estivessem em algum regime de internação nos hospitais ou mesmo em suas residências, como doentes crônicos, sendo atendidos na modalidade "home care". Entretanto, após uma década, o PL ainda não foi apreciado pelo Senado Federal.

A lentidão na tramitação e aprovação do projeto de lei não impediu, no entanto, que outras alternativas fossem buscadas e outras medidas fossem tomadas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou no Diário Oficial da União de 24 de fevereiro de 2010, a 7ª Resolução da Diretoria Colegiada, que estabelece as condições e os serviços que devem ser obrigatoriamente oferecidos numa UTI. Nessa resolução está contida a assistência odontológica no rol de procedimentos a serem ofertados.

Em 2015, reafirmando a importância do cirurgião-dentista no ambiente hospitalar, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) publicou a Resolução nº. 162, que reconhece o exercício da Odontologia Hospitalar e a apresenta com uma nova área de atuação dentro da profissão, com os objetivos de "promoção da saúde bucal, prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças orofaciais, de manifestações bucais de doenças sistêmicas ou de consequências de seus respectivos tratamentos".

Em Mato Grosso, a Lei 10.659, de autoria do deputado Eduardo Botelho, que torna obrigatória a prestação de assistência odontológica a pacientes em regime de internação hospitalar no Estado, foi sancionada pelo governador Pedro Taques no final do ano passado e deve entrar em vigor no final do mês de junho.

Dentre os benefícios trazidos pela adoção da medida estão a melhora na qualidade e sobrevida dos pacientes, redução de risco de infecções, do tempo de internação e dos custos hospitalares, dentre tantos benefícios.

Parabéns à Assembleia Estadual e ao Governo do estado pela sensibilidade a esta importante causa que vai ao encontro dos princípios de integralidade e qualidade nos serviços públicos de saúde. Mato Grosso mais uma vez dá exemplo para o Brasil.

Luiz Evaristo Ricci Volpato é presidente do CRO-MT

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