Agro maduro e moderno | Gazeta Digital

Quarta, 10 de janeiro de 2018, 00h00

Agro maduro e moderno

Ney Ibrahim


Estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam que o agronegócio contribuiu com aproximadamente 23,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2017. O número considerável traz consigo diversas responsabilidades. Com suma importância para o desenvolvimento da economia nacional, o setor precisa se comportar de maneira madura para continuar garantindo empregos, renda e segurança alimentar tanto para o mercado interno quanto externo.

Sem dúvidas, essa foi a postura no campo no ano que se passou: menos impulso e mais análise para, então, agir. Dessa forma, o produtor assumiu compromissos conforme sua capacidade de endividamento, sem que esses passos prejudicassem a sua rentabilidade. O setor de distribuição de insumos agrícolas, por exemplo, esteve alerta aos volumes e valores de estoque, exposição aos riscos, olhando ainda mais para o campo.

Outro ponto que merece destaque, consequência deste amadurecimento, é o uso racional da água. O tema está entre os mais discutidos no agronegócio e é chave para o futuro da atividade. Após sequência de anos com sérios problemas de abastecimento - 2014 e 2015 -, já não enfrentamos a mesma situação. Em 2017, esse insumo atrasou, mas não foi limitante para a safra, resultado de um ano com boas chuvas, mas também de uma conscientização intensa.

A busca pela qualidade, além dos parâmetros quantitativos, também é requisito obrigatório. Já é indiscutível a aplicação de produtos e maquinários sempre mais modernos. A prática é consolidada de norte a sul do país. Faça chuva ou sol, com crise ou sem crise, o único caminho para se manter é o investimento em qualidade, em tecnologia e em produção diferenciada. Esse comportamento é reflexo de um agronegócio cada vez mais capacitado e profissionalizado, no qual só se mantém no mercado aquele que realmente gerencia o negócio de maneira séria e na ponta do lápis.

Por meio destes breves pontos do perfil do setor, é possível entender como conquistamos resultados consolidados e admiráveis no último ano. Na temporada 2016/2017, alcançamos a melhor safra de soja da história do país, como mostrou levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com os dados, aproximadamente, 114 milhões de toneladas foram produzidas, ante 95,4 milhões no ciclo 2015/2016, um aumento de cerca de 19%. O índice de produtividade apresentou um crescimento extremamente significativo, comparando as duas colheitas, um salto de 17%.

Para 2018, os olhos estão todos voltados para a recuperação da economia brasileira, que beneficiará o país como um todo, permitindo que o agronegócio ganhe ainda mais fôlego para crescer. Ela já mostra sinais de retomada - o poder de consumo e o emprego estão voltando. Entretanto, ainda precisamos de definições sobre as reformas que estão por vir, para que de fato isso se concretize. Com o Brasil no caminho certo, teremos muito o que comemorar nos próximos meses.

Ney Ibrahim é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa, com pós-graduação em marketing pela ESPM e Mini-MBA em gestão pela University College Dublin/Alltech. Atualmente é diretor comercial da Alltech Crop Science Brasil.

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