Vítimas anônimas | Gazeta Digital

Quinta, 18 de maio de 2017, 01h00

Editorial

Vítimas anônimas

Da Editoria


Araceli, de apenas 8 anos, foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada no dia 18 de maio de 1973 em Vitória, no Espírito Santo. Seus agressores nunca foram punidos. Foi da repercussão deste crime bárbaro que foi instituído o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Nestes 44 anos, muitos outros casos voltaram a chocar a sociedade. Em Mato Grosso, podemos citar inúmeros, como o da pequena Alexia Carolina, de 6 anos, violentada e morta por asfixia em 2001, em Lucas de Rio Verde. O acusado, Santo Martinello, foi condenado e é foragido. Impossível esquecer também de Kaytto Guilherme Nascimento, que aos 10 anos foi estuprado e morto, em abril de 2009, em Cuiabá. O maníaco que tirou sua vida, Edson Alves Delfino, voltou para a prisão, pois já tinha feito outras vítimas.

Estes são exemplos de casos que chamaram mais a atenção pois, além de violentarem as crianças, os agressores ainda tiraram a vida delas.

Mas, vítimas anônimas, são feitas no Brasil todos os dias, a cada hora, a cada minuto. São meninas e meninos que vão carregar por toda a vida o sentimento mais cruel de ter o corpo desrespeitado, abusado, invadido, dilacerado e, na maioria das vezes, por quem tinha a obrigação de cuidar dele. De quem a criança esperava amor, compreensão, ensinamentos.

Muitas das vezes, de tão pequena, a vítima nem compreensão do que está ocorrendo tem. Mas, com certeza, sente a dor do abuso, a dor do desrespeito, da invasão, da crueldade e da falta de humanidade daquele ser humano capaz de imaginar atrocidades.

A violência sexual contra crianças e adolescentes é algo inaceitável, como é contra qualquer pessoa. Mas quando falamos da criança, estamos nos referindo a um cidadão em formação, aberto ao mundo, com o coração puro, com a história começando a ser escrita e que não merece um monstro, um maníaco, um ser sem sentimentos nas primeiras páginas da sua vida.

Não é possível que com tanta informação, com tantas denúncias, estes casos continuem acontecendo. A sociedade precisa abrir mais os olhos, precisa estar mais atenta às atitudes estranhas. Trata-se de vigiar mesmo, de buscar informações de uma pessoa que será contratada, de alguém que trabalha na escola de seu filho, de quem vai levar o filho para a escola, de quem cuida do filho. É preciso ter informações até da pessoa com quem se relaciona. Mas é preciso, acima de tudo, conversar com as crianças desde cedo, orientado, deixando claro onde as pessoas não podem tocar. É preciso ter a confiança dos filhos e protegê-los, contra o mundo de hoje.



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