Evento contra homofobia cancelado | Gazeta Digital

Quarta, 17 de maio de 2017, 00h00

Evento contra homofobia cancelado

Hélcio Corrêa Gomes


O mundo evolui globalmente. E devido ao desenvolvimento desigual e combinado tem partes recrudescidas, onde os desrespeitos ao ser humano diferente ficam apavorantes. Aqui a homofobia parece ter um fôlego de gato preto em noite sombria. Hoje as regiões com controles muçulmanos radicais conservam o que de pior a humanidade já produziu. Embora, o próprio Alcorão, afirme que Deus está com os perseguidos. Além dele ordenar luta árdua e diária contra a injustiça.

O espírito áureo do fundamentalismo é sempre o mesmo, em qualquer época e tempo, a junção de intolerância e violência. Tal como já ocorreu entre os cristãos e agora tardiamente no islamismo. O Estado Islâmico, por exemplo, faz retorno das punições cruéis aos homossexuais. Enfim, shows de lançamentos deles dos prédios ou precipícios à morte.

No Brasil a imigração árabe remonta fins do século XIX com maioria de libaneses e sírios. Hoje, segundo dados do Itamaraty, têm mais de 10 milhões de descendentes com diversas opções religiosas no Brasil. Independente de não serem radicais, os gays muçulmanos devem se guardar nos armários à sete chaves, pois correm riscos de rechaços das comunidades. Na França já na terceira geração dos imigrantes originais. Na Espanha na segunda. Na Alemanha e outros países com refugiados, que sofreram recentes injustiças, tudo parece normal agir contra os homossexuais.

Enfim, clamam por liberdade, mas não a levam a sério. Os designs comunitários não permitem a liberdade reivindicada aos gays.

Na segunda (15) ato cultural e programado no Líbano, como país no Oriente Médio, que mais clama por direitos humanos, conforme marketing internacional de povo oprimido, que seria realizado no recinto de hotel, para comemorar o Dia Internacional contra a Homofobia, nesta quarta-feira (17), teve que ser cancelado por falta de segurança aos participantes.

A gerência da hotelaria libanesa anulou as reservas, alegando que o grupo não era mais bem-vindo. E que não aguentava mais a forte pressão política radical, segundo informação da agência EFE.

A ONG de gays e lésbicas libaneses, que patrocinava o evento, também, foi alvo de intimidação de toda a natureza. Não somente de religiosos extremistas, mas de todos os grupos religiosos conservadores no Oriente Médio. Aqui contra os diretos dos homossexuais desapareceram as diferenças e conflitos regionais.

O que mais incomodava na comemoração afeta não era ver tantos gays e lésbicas reunidos no Líbano, mas a programação com filmes, documentários, peças teatrais e principalmente leituras públicas de relatórios das prisões, torturas, mortes e abusos dos direitos civis recentes dos coletivos LGBT no mundo muçulmano. E a possível reivindicação de ser gay, lésbica e continuar professando comunitariamente a fé islâmica. Algo difícil de digerir pelos mais radicais e religiosos conservadores.

Afinal, se Deus não admitisse gays, lésbicas no mundo eles não existiriam. E se eles estão presentes e fazem parte da vida cotidiana de qualquer sociedade humana tem que ter algo equivocado na interpretação mais conservadora dos fatos e dos escritos.

Eis a realidade e já consolidada no mundo afora por direitos civis, que impedem de tapar o sol com a peneira.

Hélcio Corrêa Gomes é advogado e escreve às quartas-feiras em A Gazeta.

E-mail: helcio.mt@gmail.com

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