A caixa-preta do BNDES | Gazeta Digital

Terça, 16 de maio de 2017, 00h00

A caixa-preta do BNDES

Dirceu Cardoso Gonçalves


Desde que começaram a surgir denúncias de corrupção, propinas, financiamento irregular de campanhas eleitorais e outras irregularidades apuradas pela Operação Lava Jato e similares, é comum ouvir-se dizer que isso é só a ponta do iceberg, pois o grande problema está no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Esse órgão de fomento, criado no começo dos anos 50 com a finalidade de alavancar o desenvolvimento nacional, segundo voz corrente, teria sido usado indevidamente tanto para o enriquecimento ilícito de amigos do poder quanto para o apoio ideológico a governos bolivarianos e ditaduras de esquerda nas Américas do Sul e Central e na África.

Nesta sexta-feira, a Polícia Federal mais de três dezenas de buscas e apreensões e conduções coercitivas junto à empresa JBS que, com o aporte do banco, tornou-se a maior produtora e comercializadora de proteína animal do mundo. Com aporte de R$ 8,1 bilhões do banco de fomento, a empresa montou um formidável cartel que desequilibrou a pecuária brasileira e causou até à escassez de carne no mercado nacional. Tudo isso, conforme se apura, mediante tráfico de influência e boas relações com os donos do poder.

Finalmente abrem-se, para a população, as informações sobre a caixa preta do BNDES, autarquia federal criada em 1952 (Lei n´ 1628), com a finalidade de financiar a infraestrutura e as empresas de base que ao longo de seis décadas mudaram o perfil do pais de essencialmente agrícola para industrializado. Com a evolução da economia, o banco sofreu alterações de finalidade e diversificou sua atuação, passando a apoiar negócios destinados à criação de empregos. Foi com essa argumentação, que os governos recentes concederam empréstimos a Cuba, Angola, Moçambique, Gana, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Peru, Venezuela e outros países. Mas, recentemente, a Operação Lava Jato identificou corrupção de empresas brasileiras naqueles países e travou parte dos negócios.

O Brasil precisa de esclarecimentos e soluções. O seu banco de fomento não pode servir a negociatas e nem para desenvolver outros países e neles criar empregos, quando temos 13 milhões de desempregados em solo pátrio. Revelem-se os segredos do BNDES e, principalmente, coloque-se o banco novamente a serviço dos brasileiros. Só dos brasileiros, como é sua finalidade...

Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente, dirigente da Aspomil (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo). E-mail: aspomilpm@terra.com.br

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