O Pantanal pede socorro | Gazeta Digital

Sexta, 21 de abril de 2017, 07h18

Carlos Avalone Junior

O Pantanal pede socorro


No início da década de 70, começou minha ligação com o pantanal. Meu pai, juiz de direito a época,foi transferido para o município de Poconé e nós, sua fam ília,fomos morar na cidade rosa. Nossa casa ficava em frente ao bar do Machadinho,na rua da escola Maria Luíza Bertrand, escola que tive a oportunidade de estudar e ter aulas de frances, já que as freiras de uma congregação francesa administravam a instituição de ensino. Tinha 11 anos quando aprendi com os pantaneiros poconeanos a conhecer e respeitar o pantanal, onde fizemos grandes e sinceras amizades, que cultivamos até hoje.

Na metade da década de 90,fui nomeado Secretário de Turismo de Mato Grosso e, junto com o secretário Frederico Muller, desenvolvemos e acabou sendo aprovado,o Bid Pantanal, projeto que se fosse implantado teria mudado a realidade pantaneira. O Bid Pantanal era a menina dos olhos de Dante de Oliveira, Governador do Estado e responsável pela idéia e viabilizador do projeto.

Poconé continuava fazendo parte da minha vida e do meu trabalho. Nesta mesma época, presenciei uma das maiores enchentes do Pantanal, muita destruição e prejuízos.

A entrada firme do poder público, estimulando e envolvendo os fazendeiros no turismo rural, em parceria com operadores do eco turismo, abriram as portas para um novo recomeço. Participei disponibilizando qualificação,capacitação e financiamento, através do BNDES.

No início deste mês, fui convidado pelo amigo Aroldo Arruda a visitar Poconé, na região do entorno da estrada até Porto Cercado, e pela Transpantaneira. Tive o prazer de acompanhar Bill Arruda e Guilherme, primeiro tomamos café na praça da matriz e guaraná ralado em uma pousada da transpantaneira e de lá fomos as visitas.

Caros leitores, nesta viagem testemunhei o pantanal pedindo socorro. São assentamentos embaixo d’água,fazendas submersas em um mar de água doce que há muito tempo não via. Vi montanhas de terras feitas por dezenas de garimpos, que estão assoreando e poluindo o pantanal. As estradas vicinais, além da ausência de projeto,não recebem manutenção adequada.Vi os assentados do projeto Modelo com mais de 1 metro de água encobrindo suas propriedades, fazendeiros e assentados padecendo, vendo seus animais e plantações se perderem.

Reafirmo, o pantanal de Poconé, nosso belo cartão postal,que abriga um ecossistema inédito e uma das mais valiosas reservas de água doce do mundo, esta pedindo socorro.

Por isso, estou comprometido com todos que me acompanharam e que visitei em ser porta voz deste grito de socorro. Com certeza não serei o único. Ao lado dos apaixonados pelo pantanal de Poconé, estarei visitando, secretarias estaduais de infraestrutura,meio ambiente, Cidades me reunindo com empresarios, Assembléia, Prefeitura de Pocone,Adepan e de todos,que como eu, queiram ajudar o Pantanal.

Precisamos, assim que as águas baixarem, agir com rapidez e firmeza, fiscalizando e executando obras que permitam o escoamento das águas nos caminhos naturais, que hoje estão obstruídos.

A união dos fazendeiros centenários, dos empresários do Turismo, do poder público municipal e estadual são fundamentais para o sucesso desta luta. Vamos envolver os verdadeiros conhecedores da vida pantaneira e deste ecosistema único, que é patrimônio da humanidade e precisa ser protegido.

O Pantanal que conheci no início dos anos 70, não é mais o mesmo. Foi agredido, está sofrido e pedindo socorro. E esta triste realidade só poderá mudar com o envolvimento de todos nós, para que as crianças das novas gerações, assim como eu no passado, possam desfrutar deste bioma valioso e tão importante para o equilíbrio do nosso meio ambiente.

Carlos Avalone Junior é ex-secretario de Turismo de Mato Grosso e deputado estadual suplente

 

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