Quinta, 20 de abril de 2017, 07h30

Leo Fraiman

Criar é ler o mundo com os olhos de criança


Quem tem filhos pequenos ouve constantemente a expressão, nos momentos em que brincam, “de novo, de novo, de novo!”. Elas adoram brinquedos, pois com eles vivem a possibilidade mágica da criação, a exploração de possibilidades, podem testar experiências e montar novos cenários.

Não brincamos somente com brinquedos. Uma das atividades humanas mais prazerosas se dá com a própria imaginação. Com a leitura, o cérebro e o corpo como um todo também são ativados, afinal de contas, ao ouvir enredos, ao entrar em contato com aventuras, ao explorar os mais diversos sentimentos e sensações, aquilo que se lê vai tomando forma dentro de nós, colorindo nossa alma e nos trazendo vida. António Damásio, um dos mais importantes neurocientistas da atualidade, no livro E o Cérebro Criou o Homem, aponta que o cérebro processa a realidade por meio de imagens.

Um dado interessante é que nossa mente funciona mais ou menos como uma biblioteca: tudo que vivemos de forma intensa e significativa se torna como um livro interno dentro de nosso acervo mental. A cada dia, com as experiências da vida, com as brincadeiras e as leituras, formamos um grande patrimônio neurológico, e daí vem a expressão ‘ter uma mente fértil'.

Nos momentos em que queremos ou precisamos criar, é a esse acervo que recorremos e por isso que há um consenso na literatura científica sobre a importância do ato de brincar e ler para a saúde e até mesmo para a para a felicidade. Isso vale para a infância, bem como para a maturidade.

Uma dica interessante que pode tornar nossa vida mais agradável e até mais produtiva é, antes de iniciar uma tarefa muito trabalhosa ou estressante, ou até no começo da manhã, entrar em contato com essa criança interior e lembrar alguma brincadeira, ler algum conteúdo leve e agradável ou inspirador. Claro que nada disso se compararia a tirar uns minutinhos de manhã para brincar com os filhos em casa, não somente como um gesto de carinho, mas sim, para alimentar nossa própria porção infantil e assim sair de casa com o coração mais aquecido e a mente mais aberta ao novo, ao lúdico, à criatividade.

Você pode exercitar sua criatividade de diversas formas: dando uma caminhada para casa por novas ruas, fazendo desenhos (sim, podem ser rabiscos), ouvindo músicas novas, observando crianças brincando, lendo livros que não está acostumado, reorganizando suas roupas ou mesmo usando novos trajes ou looks no dia a dia. Nada disso é perda de tempo. É ganho de vida.

Leo Fraiman é professor, psicoterapeuta, escritor e palestrante

 



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