Novo índice de desenvolvimento | Gazeta Digital

Terça, 13 de fevereiro de 2018, 00h00

Editorial

Novo índice de desenvolvimento

Da Editoria


Há algumas décadas se questiona sobre a validade do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas monetárias de um país, como balizador de desenvolvimento econômico de uma nação. Nem sempre as nações mais ricas são as mais desenvolvidas.

Criado pelo economista inglês William Petty (1623-1687), o PIB foi aprimorado e adquiriu o nome atual após ajustes propostos pelo economista russo-americano Simon Kutznets, já no século 20. Ele costuma ser calculado por área (país) dentro de um determinado período (ano) e sua vantagem é a relativa simplicidade e o fato de que está altamente relacionado aos outros indicadores. Por si só é uma medida imperfeita de bem-estar social, mas resiliente, porque é metodologicamente simples.

O crescimento do PIB é necessário, mas não é mais uma única condição suficiente para um aumento robusto no padrão de qualidade de vida, garantem economistas do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla inglês) que criaram uma nova visão sobre o assunto.

Recentemente em Davos, foi proposto o Índice de Desenvolvimento Inclusivo (IDI), com indicador de prosperidade em substituição ao PIB.

O novo indicador econômico leva em consideração 11 aspectos econômicos agrupados em três pilares: crescimento, desenvolvimento e inclusão.

Ele tenta responder questões inquietantes, tais como: O que faz uma nação verdadeiramente próspera? O lucro monetário gerado na produção de bens e serviços? O nível de qualidade de vida? A alta escolaridade? Ou a baixa mortalidade infantil?

O índice é apresentado como uma alternativa mais sofisticada que o popular conceito de PIB.

Porém, não há unanimidade entre economistas sobre qual é a melhor maneira de medir em estatísticas o bem-estar da população. A validade econômica e política do novo índice divide opiniões, até porque quando se avalia o IDI, nações como Estados Unidos e China nem aparecem entre as dez primeiras.

Países com forte tradição de igualdade social é que se destacam, nessa ordem: Noruega, Islândia, Luxemburgo, Suíça, Dinamarca, Suécia, Holanda, Irlanda, Austrália e Áustria.

O Brasil, por sua vez, ocupa o 37º lugar no ranking que reúne 74 nações. Apesar de estar mais bem colocado no geral (próximo do meio e longe da lanterna), o prognóstico do Fórum Econômico Mundial é levemente pessimista e diz que o País apresenta uma tendência de "piora moderada".

Segundo o documento de proposição do IDI, "a concentração de riqueza no Brasil está entre as mais altas tanto da América Latina quanto das economias emergentes, e tem aumentado vagarosamente nos últimos anos. Com a recuperação econômica lenta do Brasil, os fatores de crescimento e desenvolvimento do IDI devem melhorar, ao mesmo tempo que tendências futuras poderão ser afetadas pelas reformas promotoras de crescimento propostas pelo governo para combater as atuais limitações fiscais".

O relatório afirma ainda que "a descoberta-chave de que um crescimento relativamente forte não pode por si só ser responsável por gerar progresso socioeconômico inclusivo e ampla melhora no padrão de vida".

Mesmo sem um consenso, o certo é que não dá para resumir tudo a dinheiro. Está comprovado que o aumento do PIB por si só não reduz as desigualdades.

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