160 anos depois, um livro | Gazeta Digital

Sexta, 21 de abril de 2017, 00h00

160 anos depois, um livro

Luiz Henrique Lima


Pense num livro que continua atual, inovador, surpreendente e revolucionário 160 anos depois do seu lançamento.

Pense num livro com milhares de edições e dezenas de milhões de leitores em quase todos os idiomas conhecidos.

Pense num livro que trouxe revelações extraordinárias que afrontaram o pensamento dominante e o conhecimento existente à época e que, decorridos 160 anos, mesmo com todo o gigantesco progresso científico e tecnológico vivido pela humanidade, não teve nenhuma de suas afirmações desmentida e, ao contrário, diversas delas foram confirmadas.

É claro que esse livro foi duramente combatido, difamado, proibido e até mesmo queimado em praça pública em cerimônias inquisitoriais. Ainda hoje, há quem o veja com preconceito, mesmo sem nunca o ter folheado.

É claro que toda essa perseguição não teve êxito e, como verdadeira obra-prima, esse livro inspirou milhares de outros livros, bem como inúmeras peças teatrais e filmes, composições musicais, pinturas e outras manifestações artísticas. Influenciou profundamente a vida de pessoas e comunidades, professores e cientistas, líderes e cidadãos. Todos os dias, em milhares de locais em todo o mundo, reúnem-se voluntários para estudá-lo e pôr em prática os seus preceitos.

Voltemos a 1857, data do lançamento desse livro.

Na maior parte do planeta, inclusive no Brasil e nos Estados Unidos, a escravidão era a base da atividade econômica, possuindo sólidos fundamentos jurídico-políticos e o beneplácito, quando não a benção, das religiões hegemônicas. Esse livro condenou a escravidão como um abuso intolerável e prenunciou seu desaparecimento à medida que a humanidade progredisse. Denunciou o racismo e proclamou a liberdade de pensamento e de consciência.

Esse livro foi além e trouxe uma vigorosa condenação à pena de morte, então vigorante em todos os países com sistema jurídico organizado. Somente alguns anos após seu lançamento, Venezuela e Portugal foram os primeiros países a abolir a pena de morte.

Esse livro também denunciou o aborto como um crime contra a vida. Longe de ser uma novidade pós-moderna, há milênios o aborto era institucionalizado em sociedades patriarcais e militarizadas e tolerado em outras, por razões econômicas ou religiosas. Esse livro indicou que há vida humana desde a concepção, conceito que foi cientificamente demonstrado pelas descobertas da genética e da embriologia.

Esse livro foi pioneiro na proclamação da igualdade dos direitos das mulheres. Em 1857, em nenhuma nação do mundo a mulher tinha reconhecida a sua cidadania e o direito de voto, o que só começou a mudar três décadas depois na Nova Zelândia. Até hoje há países nos quais as mulheres não podem exercer determinados cargos considerados mais importantes na organização estatal. Ainda há países em que elas não podem dirigir ou não podem viajar sem autorização do marido. Há países em que elas não podem decidir sobre seu próprio casamento. Há países que toleram a violência doméstica e assim por diante.

Pois bem, 160 anos atrás esse livro explicitou que "a lei humana, para ser equilibrada, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um ou a outro concedido é contrário à justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização."

Talvez a essa altura alguns imaginem de que livro estou falando.

Não, não é o Manifesto Comunista de Marx e Engels. Esse também foi importante, mas é de 1848 e não cuidou das mulheres, nem dos escravos; não tratou da pena de morte, nem do aborto. Além disso, diversas de suas previsões não se confirmaram.

Também não é um dos grandes romances do século XIX, de Charles Dickens,Victor Hugo ou Leon Tolstoi.

Esse livro extraordinário é o Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, e sempre é tempo de conhecê-lo.

Luiz Henrique Lima é conselheiro substituto do TCE-MT.

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