Senador defende diretas sem participação de políticos investigados | Gazeta Digital

Quinta, 18 de maio de 2017, 17h48

Sem mácula

Senador defende diretas sem participação de políticos investigados

Karine Miranda, repórter do GD


O senador José Medeiros (PSD) defendeu que haja eleições diretas para a Presidência da República após o presidente Michel Temer (PMDB) ter sido gravado supostamente sugerindo a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Além de novas eleições, o senador sugeriu que os investigados em processos criminais sejam impedidos de participar do pleito.

Temer foi gravado, em áudio, pelo empresário Joesley Batista, onde teria sugerido que se mantivesse pagamento de mesada de Batista ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro, para que estes ficassem em silêncio. A denúncia veio à tona no jornal O Globona quarta-feira (17).

Waldemir Barreto/Agência Senado

Senador defende eleições diretas sem investigados 

De acordo com o senador, que é vice-líder de Temer no Senado, a melhor solução para “os problemas políticos” do país é uma eleição presidencial direta, na qual o povo iria às urnas. Ele afirmou que já existe uma movimentação entre os parlamentares no Congresso Nacional para apresentação de Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

“Fomos tomados de surpresa pelas delações da JBS e surgiu diversas hipóteses sobre o destino do presidente. Mas já começou um trabalho no sentido de que tem que ter eleições e que as eleições têm que ser diretas. Concordo que o povo possa escolher, agora precisamos resolver de uma vez por todas a crise”, disse.

Segundo Medeiros, também está previsto que a emenda proíba que os investigados em processos criminais participem do pleito. “Não dá para a gente fazer uma eleição que não resolva os nossos problemas políticos. É importante fazer uma eleição que não tenha investigados”, afirmou.

Sobre o princípio da presunção de inocência, que prevê que ninguém é culpado até que o processo seja julgado, previsto na Constituição, o senador afirmou há a necessidade de se “abrir uma exceção” em decorrência do momento politico do Brasil.

“Nesse caso vamos abrir uma exceção e falar que, para presidente da República, ele não pode estar sendo investigado, não pode pesar sobre ele nenhuma mácula ou mancha que venha daqui em um futuro próximo trazer novamente uma crise politica para o Brasil”, disse.

Ainda conforme o senador, o momento politico é muito delicado para se correr o risco de que novos escândalos envolvendo presidentes ocorra. “Nós estamos em um momento em que precisamos trocar dois pneus com o carro andando e isso é muito difícil fazer sem ele tombar. Por isso, precisamos fazer rápido e de uma vez por todas”, encerrou.

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