Jornalista foi incluído em todos os pedidos de escutas da PM, em 2015 | Gazeta Digital

Quarta, 17 de maio de 2017, 21h22

codinome 'mumu'

Jornalista foi incluído em todos os pedidos de escutas da PM, em 2015

Celly Silva, repórter do GD


O jornalista José Marcondes ‘Muvuca’, que concorreu ao cargo de governador na eleição de 2014, e a ex-servidora pública Tatiane Sangalli foram monitorados irregularmente pelo Núcleo de Inteligência da Polícia Militar entre os meses de abril e setembro de 2015. A deputada estadual Janaina Riva (PMDB) teve seu número de telefone incluído no esquema de arapongagem em agosto daquele ano.

Chico Ferreira

Jornalista José Marcondes afirma que vai acionar Estado na Justiça

É o que apontam os autos que constam nos processos de interceptação telefônica autorizados pelo juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira, que naquela época atuava na 1ª Vara Criminal de Cáceres. Os documentos foram divulgados nesta quarta-feira (17) pelo site de Muvuca, que falou ao Gazeta Digital que está revoltado pelo fato de ter seu nome incluído nos processos como um criminoso ligado a uma quadrilha de tráfico internacional de drogas.

Ele afirma que vai acionar o Estado, o governador Pedro Taques (PSDB) e o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, na Justiça, por acreditar que tenha partido deles a ordem para os grampos ilegais.

Nos pedidos de interceptação elaborados pelo policial militar Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior, do núcleo de inteligência da PM, e nas decisões judiciais, Muvuca foi identificado com os codinomes “Mumu” e “ PM contato do sargento Rodolfo”, já que, segundo a investigação, havia policiais militares envolvidos no tráfico de drogas na região de fronteira entre Cáceres e Bolívia.

Conforme os documentos que surgiram até o momento, a autorização da interceptação foi dada em 3 de março de 2015 e limitava a escuta por 15 dias. As interceptações ocorreram efetivamente entre 14 de abril e 2 de maio daquele ano, conforme o relatório de análise nº 07/2015/GAN/PMMT, assinado pelo policial Gerson Correa, que investigava tráfico de entorpecentes com participação de policiais militares do 6º Comando Regional – Cáceres.

“Destarte, necessitamos aprofundar ainda mais junto a esses corruptos, visando identificar o modus operandi deles, a estrutura logística e demais características peculiares a essa organização criminosa, que atua preponderantemente na região Oeste do estado de Mato Grosso, tendo como base o município de Cáceres”, diz trecho do relatório.

Welington Sabino

Juiz Jorge Alexandre autorizou escutas contra traficantes, em que foram incluídos telefones de pessoas alheias ao caso

Gerson pediu ao juiz a prorrogação da interceptação nos números de Tatiane Sangalli, identificada como “Tatu” e de José Marcondes, cuja identidade foi disfarçada com o apelido “Mumu”, no dia 20 de maio. Na ocasião, também houve o pedido de inclusão de outros dois policiais para realizar as escutas, sendo eles os PM’s Clayton Dorileo Rosa de Barros e Andrea Pereira de Moura Cardoso.

Todas as solicitações foram acatadas pelo magistrado que, em sua decisão, registrou como “PM contato com sargento Rodolfo” o que no relatório policial constava como “Mumu”.

Já em 23 de junho de 2015, o juiz prorrogou novamente as interceptações telefônicas a pedido da inteligência da PM. Com base nesta decisão, foram realizadas escutas entre 1 e julho e 21 de julho de 2015.

Conforme aponta o relatório de análise n° 011/2015/GAN/PMMT, o PM Gerson relatou que fez novas investigações entre 23 de julho e 9 de agosto e apontou novamente a participação de “Tatu” e “Mumu”, além de pedir a inclusão de “Janair”, codinome dado à deputada estadual Janaina Riva, nas escutas telefônicas.

Com base nesse relatório, o juiz autorizou a prorrogação e inclusão de interceptações no dia 12 de agosto de 2015, quando Janaina também passou a ser monitorada pela Polícia.
Após esta decisão, o PM Gerson elaborou o relatório de análise nº 013/2015/GAN/PMMT, assinado em 3 de setembro de 2015, em que afirmou ter feito investigações entre 14 de agosto e 2 de setembro, que resultaram em prisões de traficantes em Rondonópolis e Barra do Garças.

Veja documentos na íntegra em anexo

 

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