Defesa de Chico Lima refuta delação da Odebrecht | Gazeta Digital

Quinta, 20 de abril de 2017, 17h47

'MANHOSO'

Defesa de Chico Lima refuta delação da Odebrecht

Celly Silva e Welington Sabino, repórteres do GD


Após ter seu nome citado na operação Lava Jato pelo ex-executivo da Construtora Norberto Odebrecht (CNO), João Antônio Pacífico, como recebedor de R$ 330 mil em propina para conseguir junto à União recursos necessários para quitação de dívida do Estado com a empresa, a defesa do ex-procurador do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, contestou a citação.

Otmar de Oliveira

Ex-procurador também responde a processos criminais nas operações Sodoma e Seven

“Não ocorreu citação do Chico Lima, do ponto de vista processual formal. Houve o anúncio de uma situação que, obviamente, tem que ser investigada . Está meramente aberta a fase de investigação”, disse o advogado João Cunha à imprensa, na tarde desta quinta-feira (20).

Cunha ainda levantou suspeita sobre a delação premiada do delator ao Ministério Público Federal (MPF), que pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a abertura de inquérito contra o ministro da Agricultura e ex-governador de Mato Grosso, Blairro Maggi (PP), cuja segunda gestão seria a época em que os fatos apurados teriam ocorrido.

“Tem que ter o termo de homologação, tem que ter o áudio dessa oitiva. Se a oitiva do Pacífico é aquilo que a TV apresentou, certamente é ato nulo. (...) Todo delator tem que apresentar provas do que fala e não pode mentir. O delator, além de fazer prova do que afirma, tem que fazer prova - ou documental ou prova efetiva - de que dinheiro tivera realmente sido repassado, coisa que eu ignoro” afirmou.

No vídeo vazado da delação de João Pacífico, ele relata que a quantia de R$ 330 mil teria sido paga não só a Chico Lima, apelidado de “Manhoso”, mas também ao ex-procurador-geral do Estado João Virgílio Sobrinho, que recebeu o codinome “Careca” e ao então secretário-adjunto do Tesouro estadual Edmilson José dos Santos, que tinha o apelido de “Cofrinho” nas planilhas de propina da Odebrecht.

Os três teriam participado do processo para garantir, junto ao governo federal, recursos provenientes de previdência de servidores remanescentes da divisão de Mato Grosso, mas que também seriam usados para pagar uma dívida deixada por gestões anteriores com a empreiteira, que fez obras na MT-010. 

João Vieira

João Cunha, advogado de Chico Lima

O advogado ainda registrou que seu cliente ainda não teve a oportunidade de se defender nos autos. “Até o presente momento, a defesa não foi de nenhuma maneira oficialmente instada a se manifestar nessa apuração específica, onde uma delação de João Pacífico assegurou uma série de fatos”.

Questionado sobre a reação de Chico Lima após ser novamente vinculado a escândalo de corrupção (ele já é processado nas operações Sodoma e Seven – que apuram desvio de dinheiro público na gestão de Silval Barbosa), João Cunha disse que ainda não tratou do assunto com o procurador aposentado.

“Nós não tivemos oportunidade de conversar pessoalmente porque ontem, ele que é idoso e diabético, foi trazido erroneamente às dependências do fórum. Em razão de que eu estive, em sentido contrário, a procurá-lo no CCC e tivera sido impossível o nosso encontro”, explicou.
 

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