Empresário José Kobori confirma amizade, mas nega propina a irmãos Taques | Gazeta Digital

Segunda, 14 de maio de 2018, 10h22

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Empresário José Kobori confirma amizade, mas nega propina a irmãos Taques

Arthur Santos da Silva, repórter do GD


O empresário José Kobori, ex-diretor da EIG Mercados, negou ter pago propina aos irmãos Pedro Zamar Taques e Paulo Taques, ex-secretário de Casa Civil de Mato Grosso. A informação consta em depoimento prestado ao Ministério Público de Mato Grosso na última sexta-feira (11), em decorrência da Operação Bônus, que investiga fraudes em contratos milionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT.

João Vieira

“O interrogando [José Kobori] já prestou os esclarecimentos a respeito desses fatos, reforçando que jamais houve qualquer pagamento de vantagens indevidas a pedido de Pedro Zamar Taques ou Paulo Taques”, afirma trecho do depoimento divulgado pelo site Midia News.

Kobori foi questionado sobre as afirmações dos empresários José Ferreira Neto e José Henrique Gonçalves, sócios da EIG Mercados Ltda que o apontaram como responsável pelo recolhimento da propina. O interrogando salientou que possui amizade com os investigados, defendendo, porém, a índole de ambos.

“O interrogando confirma ter vínculo pessoal com os irmãoes: Pedro Zamar Taques e Paulo Taques, contudo mantém maior proximidade com Pedro Zamar Taques; Que Confirma Também ter comentado com José Neto Sobre essa amizade que mantinha com Pedro Zamar e Paulo Taques, e que por isso, comentou com José Neto que não haveria mais cobrança de propina por parte do estado de Mato Grosso, já que conhece a índole da família e tinha certeza dessa afirmação”.

Chico Ferreira

Investigações demonstram que José Kobori seria o elo entre os irmãos Taques e a organização criminosa atuante no Detran. Para dar aparente legalidade, um contrato de serviços advocatícios chegou a ser firmando no dia 6 de outubro de 2014, dia seguinte às eleições gerais de 2014, quando José Pedro Taques (PSDB), primo de Paulo Taques, foi eleito governador.

Conforme interpretação do Ministério Público, o contrato era apenas uma forma de garantir o pagamento de propina a Paulo Taques em troca da garantia da manutenção do esquema durante o novo governo. Mais de R$ 30 milhões foram pagos em propina aos investigados na 2ª fase da Operação Bereré.

De acordo com o Ministério Público a organização criminosa era formada por 40 pessoas, entre elas, políticos, funcionários públicos e empresários que se utilizavam do contrato da empresa EIG Mercados Ltda junto ao Detran para lavagem de dinheiro e recebimento de propina.

Segundo o MPE, a organização era composta por 3 núcleos autônomos: Liderança, Operações e Subalterno.

Estão presos em consequência da operação: Pedro Zamar Taques, Paulo Taques e José Kobori, o deputado estadual Mauro Savi (DEM), e os empresários Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, vulgo “Grilo”. 

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