Advogado admite que mentiu à juíza Selma sobre intimidação a João Batista Rosa | Gazeta Digital

Quarta, 19 de abril de 2017, 19h46

ABORDAGEM A DELATOR

Advogado admite que mentiu à juíza Selma sobre intimidação a João Batista Rosa

Celly Silva, repórter do GD


O diretor jurídico da City Lar (atual Ricardo Eletro), Florindo José Gonçalves, prestou depoimento na 7ª Vara Criminal, na tarde desta quarta-feira (19), em ação por falso testemunho decorrente de mentiras contadas por ele, em fevereiro de 2016, no processo relativo à Operação Sodoma 1- que apura fraudes no Programa de Desenvolvimento Econômico, Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) - , onde foi ouvido na condição de testemunha.

 

Janaira Soares

Florindo José prestou depoimento falso também à Polícia Civil

Versão falsa

Naquela ocasião, ele havia relatado como havia sido um encontro com o delator da ação, o empresário João Batista Rosa, dono da Tractor Parts, ocorrido na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) logo após o início das investigações pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz).

Segundo ele, a visita a João Batista Rosa teria sido uma cortesia por conta do fato do delator estar doente e, questionado pelo Ministério Público Estadual (MPE) se havia a intenção de conversar a respeito do esquema do Prodeic, ele negou, dizendo que não tinha conhecimento disso.

Contradição

Por outro lado, em audiência realizada em agosto do ano passado, João Batista Rosa apresentou versão diferente, afirmando que foi intimidado por Florindo, que teria ido até sua sala a mando do ex-secretário de Estado na gestão Silval Barbosa (PMDB), Pedro Nadaf.

"Ele me falou: João, seu celular está grampeado", disse o delator. Florindo ainda teria alertado o empresário para tomar cuidado porque tudo estava sendo gravado e que quando ele quisesse falar com Nadaf, que o fizesse por meio dele, além de passarem a se encontrar em outro lugar.

Segundo o delator, Florindo também combinou com ele um código para tratar sobre assuntos pertinentes Prodeic. Esse código seria o termo “ar condicionado”. “Era uma maneira de cifrar a conversa e parecer que era sobre compra de ar condicionado. Mas eu não estava comprando ar condicionado", esclareceu Rosa naquela oportunidade.

Nova versão

Nesta quarta-feira (19), Florindo relatou o que realmente teria ocorrido em relação ao encontro que teve com João Batista Rosa. Ele esclareceu que o dono da City Lar Erivelto Gasquez se reuniu, à época, com Pedro Nadaf para discutir se João Rosa estava ou não fazendo delação premiada.

Eles incumbiram então Florindo de questionar João Rosa sobre isso e este negou a delação. O teor da conversa com Rosa foi levado, então, aos ex-secretários de Estado Pedro Nadaf e Marcel de Cursi, em um encontro na Padaria América, no bairro Jardim das Américas.

O advogado também confessou que se aproveitou que sabia do estado de saúde de João Rosa para mentir em Juízo na primeira oportunidade e admitiu que criou o código do ar condicionado. "Todas compras do João era feitas comigo e pensei nisso. Também pensei em alegar sobre uma visita diante do seu estado de saúde", declarou.

Segundo Florindo, a decisão de mentir em Juízo partiu dele próprio. Ele também negou que tenha ganhado algo em troca de levar recado de Nadaf para João Rosa, que apenas cumpriu ordem de seu patrão, Erivelto Gasquez e disse que sequer sabia qual era o problema que o empresário tinha com Pedro Nadaf.


 

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