Delator afirma ter dossiê da propina do governo Silval | Gazeta Digital

Terça, 18 de abril de 2017, 14h13

OPERAÇÃO SODOMA

Delator afirma ter dossiê da propina do governo Silval

Celly Silva, repórter do GD


O delator Filinto Müller, o filho do ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf, Pedro Jamil Nadaf Filho e Maria Auxiliadora de Moraes, todos testemunhas de acusação arrolados pelo Ministério Público Estadual (MPE) prestam depoimento na tarde desta terça-feira (18), sobre fraudes ocorridas na desapropriação do bairro Jardim Liberdade, em 2014, durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Chico Ferreira/A Gazeta

Audiência de instrução é conduzida pela juíza Selma Rosane Santos Arruda

A audiência de instrução, conduzida pela juíza Selma Rosane Santos Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, é decorrente da Operação Sodoma 4, deflagrada em setembro do ano passado pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz).

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Conforme investigado, houve desvio de R$ 15.857.125,50 na transação, supostamente arquitetada por Silval para quitar dívida de campanha junto ao empresári Valdir Piran. O valor corresponde a metade do que foi pago pelo Estado – R$ 37.671.144,47 – para indenizar a Santorini Empreendimentos Imobiliários, Comércio e Construção Ltda., que pertence a Antônio Rodrigues de Carvalho, também réu na ação.

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18h50 - A audiência é encerrada

18h48 - A defesa do ex-chefe de gabinete Sílvio Corrêa faz requerimento oral pela revogação da prisão de seu cliente. O Ministério Público se manifesta contrário e a juíza determina que o advogado faça o requerimento por escrito e estipula o prazo de cinco dias para análise. 

18h40 - Em um rápido depoimento, Nadaf Filho apenas relata que em meados de 2016, foi abordado pelo filho do empresário Valdir Piran, Valdir Piran Júnior, que lhe perguntou se seu pai estaria firmando acordo de delação premiada em relação à operação Sodoma. No interrogatório, ele também negou conhecer Piran Júnior e também disse que desconhece o dlator Filinto Müller.

18h35 - O interrogatório de Maria Auxiliadora é finalizado. Em seguida, será ouvido Pedro Jamil Nadaf Filho. 

17h40 – A audiência é retomada com a oitiva de Maria Auxiliadora de Moraes, servidora pública estadual lotada no gabinete do governador.
Em 2014, época dos fatos apurados, ela já trabalhava lá, sob a chefia de Sílvio César Corrêa.

A promotora faz questionamentos sobre a organização e quem eram as pessoas que tratavam dos despachos que chegavam ao gabinete.

Maria Auxiliadora explica que seu trabalho era meramente administrativo, ela recebia os processos encaminhados ao gabinete, na distribuição de processos que chegavam tanto para o gabinete do governador quanto para a Procuradoria Geral do Estado (PGE). Segundo ela, a unificação entre esses dois setores ocorreu no governo Blairo Maggi e permaneceu na gestão Silval. Ela afirma que não tinha conhecimento do teor dos processos tramitados, nem mesmo do processo de deesapropriação do jardim Liberdade. 

16h51 - Finalizado o depoimento de Filinto Müller. A magistrada determina intervalo de 30 minutos. Em seguida, deve ser realizada a oitiva de Pedro Jamil Nadaf Filho. 

16h35 – O advogado Egídio de Souza, da defesa de Levi Machado, questiona se Filinto devolveu à justiça os valores recebidos ilegalmente, além do terreno no Florais, mas a juíza Selma Arruda indefere a pergunta já que se trata do termo de colação do delator com o Ministério Público.

16h37 - Filinto relata que dos mais de R$ 900 mil que recebeu a título da operação do esquema, gastou R$ 305 mil na compra de um terreno no condomínio Florais.

16h24 – A advogada de Arnaldo Alves, Carolina Luiza de Lacerda, questiona sobre a qualificação profissional de Filinto. Ele afirma ser formado em Direito e já ter trabalhado com eventos desde a adolescência e fomento mercantil desde 2007.

16h23 - O advogado João Cunha, da defesa de Chico lima, pergunta se Filinto fez algum depósito na conta de Marcelo Maluf e ele nega.
O advogado Leonardo Moro, da defesa de Sílvio César Corrêa Araújo, questiona sobre a relação entre ambos e Filinto relata que não chegou a conhecê-lo pessoalmente, apenas ouvia falar por Chico Lima ou Pedro Nadaf. Moro também pergunta se o delator gravou alguma de suas conversas com os outros envolvidos no esquema, ele diz que não.

16h19 - Questionado pelo advogado Goulth Valente, que faz a defesa do ex-secretário Marcel de Cursi, se houve algum contato com o mesmo, Filinto nega, dizendo que nunca o viu pessoalmente e que somente sabia da participação dele no esquema pelo que Chico Lima e Pedro Nadaf lhe contavam.
Sobre o depósito ao irmão de Marcel de Cursi, Filinto diz que não sabia se a conta era realmente desta pessoa, que apenas seguiu orientação de Chico Lima.

16h14 – A promotora termina seu interrogatório.
A defesa de Silval Barbosa, por meio do advogado Válber Melo, questiona a Filinto se ele já teve algum contato direto com o ex-governador e ele relata que uma única vez “trombou” com Silval na empresa de Valdir Piran. Ele também afirma que não soube mais detalhes sobre a dívida do ex-governador com o empresário, apenas que devia fazer o pagamento de R$ 10 milhões.

15h51 – Já temendo uma investigação futura, Filinto relata que combinou com Levi Machado e Antônio Machado, dono da Santorini Empreendimentos, uma história que todos contariam caso fossem chamados a prestar esclarecimentos.
A invenção era que a SF Assessoria e Eventos havia comprado 50% das ações da empresa de Antônio Machado.  Por conta disso, eles forjaram um contrato em que novamente Filinto falsificou a assinatura de Sebastião Farias, o “laranja” utilizado como dono da SF Assessoria. Tal contrato só foi elaborado após o jornal Centro oeste Popular descobrir a fraude e começar a extorquir Filinto.

15h43 - A pedido da promotora, Filinto Müller folheia página por página do processo para confirmar veracidade de informações anotadas por ele em seu dossiê e detalhar pagamentos feitos com dinheiro desviado da desapropriação.

15h15 - Filinto Müller afirma que acredita que o valor que Silval Barbosa devia a Valdir Piran era “bem maior” do que os R$ 10 milhões que ele efetuou o pagamento. Isso porque, após a deflagração da operação, soube pela imprensa que o empresário chegou a ir no Palácio Paiaguás e tentou agredir o então governador no mesmo período em que já estava recebendo o crédito. 

15h02 - Filinto relata que a maioria dos pagamentos que fez a Valdir Piran ocorreram por meio de TED a empresas indicadas pelo credor. Dos R$ 10 milhões, cerca de R$ 5 milhões foram diretamente para contas do Grupo São Benedito, que atua no ramo de construção. A outra metade foi pulverizado em outras contas, cheques e R$  milhão em espécie, segundo o delator. 
Segundo ele, Piran sabia que a origem do dinheiro era a desapropriação de imóvel.

O credor de Silval Barbosa também teria exigido um cheque caução de R$ 7,5 milhões no início da negociação, que também foi feita com o filho dele, Valdir Piran Júnior. Ao final do pagamento dos R$ 10 milhões, o cheque foi rasgado.

14h57 - O delator afirma que nunca chegou a tratar diretamente com nenhum dos membros da organização diretamente ou por telefone, com exceção da reunião no gabinete de Chico Lima. Segundo ele, era o ex-procurador quem fazia a intermediação e lhe contava das cobranças que vinha recebendo. Em uma dessas cobranças, ele teve que depositar dinheiro – valor não informado – para o irmão de Marcel de Cursi, que vivia em São Paulo.

14h51 - Filinto conta que desde o início do esquema, já estava consciente de que estava cometendo um crime e que, por conta disso, preocupou-se em fazer o dossiê registrando os detalhes dos pagamentos e recebimentos de cheques. Uma precaução também foi em sempre fazer manutenção das senhas de seu computador para evitar ser descoberto.

Após receber o dinheiro de Levi Machado, Filinto conta que sempre aguardava a orientação de Chico Lima e Pedro Nadaf sobre como deveria ser usado o dinheiro. Um dos repasses de propinas foi feito a Arnaldo Alves, em forma de cheques, no período da noite, no Centro Político Administrativo. Ele diz não se recordar dos valores dos cheques. 

14h44 - Filinto Müller conta que chegou a um ponto em que não mais queria participar do esquema. "Quando deu o problema com o jornalista, que ele descobriu essa falcatruas todas, eu já estava com muito medo, não conseguia mais viver tranquilo e fui fazendo um dossiê, anotava tudo. Quando deu o problema com o jornalista, eu não queria mais receber, só que eu tinha um contrato com o Levi [Machado, advogado da Santorini Empreendimentos, dona do imóvel desapropriado]". 

O problema com jornalistas a que ele se refere foi com o jornal Centro Oeste Popular, que extorquiu Filinto Muller, o ameaçando noticiar o caso ele não pagasse R$ 100 mil. A extorsão chegou até mesmo ao valor de R$ 1,5 milhão. 
Dessa forma, os pagamentos passaram a ser feitos em cheques de Levi Machado e não mais em transferências.

14h43 - O delator relata que toda a vez que recebia o dinheiro que seria lavado, havia muita cobrança por parte de afonso Dalberto, que seria "desesperado por dinheiro" e também por Valdir Piran, que era o credor de Silval Barbosa. "Ele me ligava umas sete vezes po dia, parecia que eu ia sumir com o dinheiro". 

14h39 - Filinto relata que tirando os R$ 10 milhões que foi pago a Valdir Piran, também foram subtraídos os 3% a que ele tinha parte por ser o operador e o restante era dividido entre Chico Lima, Pedro Nadaf, Marcel de Cursi, Afonso Dalberto e pelo ex-secretário de Planejamento Arnaldo Alves.

14h26 - O delator confirma que na transação e desapropriação do imóvel no Jardim Liberdade, em Cuiabá, toda a propina foi paga por meio da SF Assessoria. “Em uma reunião ele me apresentou esse negócio, que a gente iria receber R$ 15 milhões parcelado”.
Do total de dinheiro desviado, Filinto conta que cobrou 3% para poder fazer a lavagem de dinheiro.

Segundo ele, toda a negociação sobre a fraude foi feita com o ex-procurador do Estado.
“Enquanto eu fazia os documentos, o Chico Lima me pediu que eu documentasse os 50% que eles iriam receber. Eu fui chamado a uma reunião pelo Chico Lima, no Palácio e, chegando lá na reunião, estava presente o Pedro Nadaf, que até então eu não conhecia, o Arnaldo, o Afonso Dalberto e o Chico Lima. Estavam esses aí. Eu percebi que eram os envolvidos, mas nessa reunião, eles não deixaram transparecer o que cada um estava ganhando. Já era final da tarde mais ou menos . Como eu fazia alguns vários negócios escusos como Chico Lima e até então não conhecia nenhum deles, eu notei que o Chico Lima me chamou lá para dizer: Esse é o cara que vai receber, é nesse que eu confio e que vai receber”

Filinto também relata que certa vez foi levado por Chico Lima a casa do ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf, que lhe disse que R$ 10 milhões do desvio seriam usados para pagar uma dívida do então governador Silval Barbosa com o empresário Valdir Piran e que ele seria o responsável por fazer esse pagamento.

14h23 - Filinto relata que não fez procuração em nome de Sebastião Farias porque queria evitar qualquer vínculo formal Ele também relata que falsificava a assinatura do “laranja” quando era preciso fazer movimentações financeiras.
“O Sebastião nunca teve acesso a nada, nunca soube de nem R$ 1 eu era movimentado”, diz.

14h16 - A juíza Selma Arruda informa aos jornalistas presentes que está proibida a realização de imagens durante a audiência.

Ela dá início à oitiva do empresário Filinto Müler, delator na operação. Questionado pela promotora Ana Cristina Bardusco, ele relata que abriu, em nome de terceiro, a empresa SF Assessoria e Eventos. Isso porque ele prestava serviço de lavagem de dinheiro para o ex-procurador do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima. A empresa foi aberta em nome de um conhecido de Filinto, Sebastião Farias. Segundo ele, ao final da gestão do governador Silval Barbosa (PMDB), a quem Chico Lima era ligado, a empresa seria fechada. 

14h13 - A audiência começa com a defesa do ex-chefe de gabinete Sílvio César Corrêa de Araújo, representado pela advogado Leonardo Moro, que fez questão de ordem, dizendo que soube da colaboração premiada da ré Karla Cecília Cintra pela imprensa, sem ter sido informado nos autos. Por conta disso, ele solicitou o adiamento da audiência por conta da mudança de condição de karla no processo. 
Após manifestação contrária da promotora de Justiça Ana Cristina, Bardusco, a juíza Selma Arruda decidiu pelo indeferimento do pedido de adiamento.



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