Lembra dele? Dani Boy virou cantor sertanejo e recusa volta à TV | Gazeta Digital

Sábado, 13 de janeiro de 2018, 10h41

Lembra dele? Dani Boy virou cantor sertanejo e recusa volta à TV


Estadao

Na virada para o ano 2000, Gugu Liberato apresentava o Domingo Legal, no SBT, com bons índices de audiência, muitas vezes disputando a liderança com Faustão. A seu lado, em algumas ocasiões, um garotinho chamava atenção, com cabelo pintado de loiro, cantando, dançando, fazendo piadas ou segurando fichas: Dani Boy, o Guguzinho.

Entre 1998 e 2002, sua presença era frequente não apenas na atração, mas em tantos outros programas da TV aberta. O tempo passou, e um problema com a Justiça impediu Dani de continuar trabalhando no programa, saindo dos holofotes algum tempo depois. Hoje em dia, virou cantor sertanejo e até abriu uma empresa própria.

O E+ entrou em contato com Marcos Felippe Nunes, seu nome de verdade, para relembrar momentos de seu passado televisivo e saber como ele está nos dias de hoje. Confira!!

Dani Boy. Natural de Jacareí, o garoto começou a trabalhar desde os dois anos de idade, vestido como palhaço em portas de lojas.

Sua primeira aparição na TV foi no programa Domingo Milionário, apresentado por Sérgio Mallandro na extinta TV Manchete, no início de 1998. Meses depois, veio o convite para ir ao palco de Gugu Liberato. À época, sua mãe enviava cartas e telegramas para a produção falando sobre a atuação do filho como palhaço, e a oportunidade surgiu quando o convidaram para cantar as músicas da dupla João Paulo e Daniel, que havia acabado de lançar um LP.

O programa, porém, não queria que ele utilizasse o apelido Espiguinha, pelo qual era conhecido. Uma loja de discos para a qual fazia propaganda fez uma votação para decidir seu novo nome.

"Como eu era muito fã do cantor Daniel, e, quando não estava vestido de palhacinho, estava como cowboy, de calça jeans, bota e camisa xadrez, as pessoas foram me chamando de Dani Boy", explica sobre a origem do apelido.

Chegada ao SBT. "Após a apresentação de todas as crianças, o Gugu já estava se despedindo da gente quando pedi um emprego para ele [risos]. O programa era ao vivo, e não sei por que fiz aquilo, eu era muito cara de pau. Sempre gostei de atenção e queria estar ali mais vezes. Me deu vontade de pedir, e pedi! [risos]". A ousadia deu certo, e na semana seguinte ele já havia sido contratado para ser Dani Boy, o Guguzinho.

Além das participações no programa dominical, também fez um quadro em A Praça É Nossa, no qual as piadas giravam em torno de seu suposto namoro com a dançarina Carla Perez, do É o Tchan - muitas das quais, com duplo sentido (assista a um trecho abaixo). 

O sucesso repentino fez com que, com menos de 10 anos já tivesse feito participações por quase todas as emissoras de TV aberta do País - à exceção da Globo. Entre os nomes que conheceu, estavam Luciano Huck, Silvio Santos, Hebe, Serginho Groisman, Raul Gil, Eliana, Luciana Gimenez e Ratinho.

Justiça. Dani foi dispensado do SBT aos 10 anos de idade, quando ganhava cerca de R$ 326 por mês (valor da época) em caso que envolveu a Vara da Infância e da Juventude. Chorou muito e precisou até mesmo ir a uma psicóloga.

Hoje, o cantor relembra a saída: "Nos meus contratos com o SBT existia uma cláusula muito específica que dizia que meus trabalhos artísticos não poderiam interferir de maneira negativa na minha vida escolar. O grande número de gravações e shows que eu fazia afetou minha frequência na escola. Acabei reprovando por faltas e isso automaticamente anulava meu contrato. Nem o SBT nem meus pais poderiam fazer algo com relação àquilo."

"A ordem judicial era: 'Não será permitido envolvimento em quaisquer contratos até que finalize os estudos'. Então, não trabalhei em outras emissoras. Só pude voltar a fazer algo da minha carreira quando fiquei maior de idade e terminei o colégio", complementa. 

Hoje em dia

"Sempre que vou tocar na noite, as pessoas lembram [de mim], até os mais novos, porque já ouviram a mãe falando, ou viram algo pela internet ou TV. O nome Dani Boy ainda é marcante", conta.

Dani seguiu os passos que almejou trilhar desde pequeno e hoje em dia é cantor sertanejo - o nome, é claro, segue o mesmo que o lançou ao estrelato décadas atrás. Ele planeja lançar seu próximo trabalho, Dani Boy Vol. 5, de forma digital em março, e garante fazer uma média de 12 shows mensais pelo interior de São Paulo.

"Recentemente, finalizei as atividades de uma agência de distribuição digital que tinha em sociedade com minha noiva. Cuidávamos de 12 artistas, e, por conta da correria, resolvemos dar uma pausa com esse trabalho para dar ênfase na minha carreira como cantor", conta, sobre outros projetos.

Reality show

Questionado se gostaria de retornar aos grandes canais de TV, rechaça a ideia: "Sempre acreditei que a vida é feita de ciclos. Guardo com muito carinho tudo que vivi durante os anos no SBT. Esses anos me fizeram realizar meu sonho de gravar CD, ter uma gravadora, ter participação de artistas grandes e viajar o Brasil todo para divulgar meu trabalho. Porém, passou".

"Eu recebo convites para participar de reality quase todo ano [risos]. Mas, não é o foco voltar para a TV e nem tempo para isso conseguiria, não poderia parar os projetos e nem a agenda de shows", revela Dani, sem, porém, citar as atrações.

Gugu

Anos depois, em 2011, a Record TV promoveu um rápido reencontro entre o garoto e o apresentador, que o reconheceu mesmo com o passar dos anos e perguntou como havia se sentido após sair do programa.

 "Quanto a ressentimento ou mágoa, não tenho de forma alguma. Todos os bons frutos que colho hoje são graças às oportunidades que ele me deu", salienta, afastando qualquer tipo de tristeza com Liberato.

Daniel

Com o passar dos anos, o contato com as pessoas com quem convivia na TV acabou diminuindo. Com uma grande exceção, o cantor Daniel, a quem chama de "padrinho": "Mesmo antes do programa, tínhamos um carinho, depois da saída, nada mudou. Continuamos uma amizade. Sempre que possível vou aos shows dele e cantamos juntos. Ele sempre faz questão de lembrar datas especiais, como aniversário e ano-novo".

"Em 1998, eu o conheci em um show que fez na minha cidade. Já sabia cantar todas as músicas do LP dele, que havia sido lançado há um mês. Durante o show, ele me chamou ao palco para cantar com ele. Desse dia em diante, passamos a nos encontrar com frequência. Sempre que ele tem shows em cidades próximas à minha, nós cantamos juntos. Mesmo sendo meu amigo, toda vez é sempre o mesmo frio na barriga. É um cara fantástico, meu maior ídolo", conta.

 

 

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