Delator confirma que sítio de Atibaia foi reformado para Lula | Gazeta Digital

Quarta, 19 de abril de 2017, 16h52

Delator confirma que sítio de Atibaia foi reformado para Lula


R7

Responsável pela reforma no sítio em Atibaia frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o delator Emyr Diniz Costa, engenheiro civil da Odebrecht, afirmou que recebeu ordens para apressar as obras para que o petista pudesse usufruir das benfeitorias assim que deixasse o poder.

O prazo dado a Costa, segundo seu depoimento, foi de um mês. Segundo as investigações, a reforma foi projetada em setembro de 2010 e iniciada em novembro do mesmo ano, pouco antes de Lula passar a faixa presidencial a Dilma Rousseff.

“Era um prazo muito curto, um prazo de 30 dia, que era para quando o senhor presidente saísse da Presidência já pudesse utilizar esse sítio”, afirmou. “Você sabe que reforma, quando começa, não tem data para acabar.”

Em seu depoimento, Costa afirmou ainda que o custo estimado da obra foi de R$ 500 mil. Ele disse que recebeu o dinheiro em espécie e o deixou em um cofre durante o período da reforma.

O sítio está em nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios de Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente. Lula nega ter-se beneficiado da reforma e diz não ser o dono do local. A Procuradoria-Geral da República, porém, tenta provar que a reforma foi um favor pessoal da Odebrecht a Lula.

Seis pedidos de Fachin

Réu em cinco processos referentes à Lava Jato e seus desdobramentos, Lula é alvo de outros seis pedidos de investigações criminais enviados pelo ministro Edson Fachin - relator do caso no Supremo Tribunal Federal - para a Justiça Federal de primeira instância. As solicitações foram feitas com base em delações de executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht.

Lula, segundo delatores, se comprometeu a melhorar as relações entre a empreiteira e a presidente Dilma Rousseff em troca de apoio da Odebrecht a projetos de seu filho caçula, Luís Cláudio Lula da Silva. O ex-presidente, conforme relatos, também tinha conhecimento do pagamento de uma mesada a seu irmão mais velho, José Ferreira da Silva, o Frei Chico.

Segundo depoimento do patriarca da família, Emílio Alves Odebrecht, e do ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira, Alexandrino Alencar, "o ex-presidente Lula teria se comprometido a melhorar a relação entre o Grupo Odebrecht e a então presidente Dilma, sendo que, em contrapartida, receberia o apoio da Odebrecht na atividade empresarial desenvolvida por seu filho Luís Cláudio".


Os delatores dizem que chegaram a se encontrar com o caçula de Lula para conhecer o projeto "Touchdwn", que previa a criação de uma liga de futebol americano no Brasil. A petição de Fachin não deixa claro se houve algum repasse da Odebrecht a Luís Cláudio. O filho do petista é investigado na Operação Zelotes. A empresa dele, LFT Marketing Esportivo, teria recebido R$ 2,5 milhões da Mautomi & Marcondes, que representava montadoras de automóveis em Brasília.

'Mesada'

Em outro depoimento, Alexandrino e o ex-chefe do chamado departamento de propinas da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, disseram que Frei Chico recebia uma espécie de mesada da empreiteira. "Os pagamentos eram efetuados em dinheiro e contavam com a ciência do ex-presidente", diz a petição.

Irmão mais velho de Lula e ex-militante do Partido Comunista, Frei Chico foi o responsável por despertar o interesse do ex-presidente pela política e iniciar o petista pelo sindicalismo. Ele não foi encontrado ontem.

Oito delatores, entre eles Emílio e seu filho Marcelo Odebrecht, relataram outros casos env0lvendo o ex-presidente.

Um deles é a suposta negociação em torno da edição da Medida Provisória 703/15 que regulamenta a possibilidade de acordos de leniência entre o poder Executivo e pessoas jurídicas sem a participação do Ministério Público.

Outro pedido de abertura de inquérito diz respeito justamente às obras realizadas pela Odebrecht no sítio usado por Lula em Atibaia e à compra de um terreno para o Instituto Lula em São Paulo.

Os outros dois pedidos enviados por Fachin à Justiça Federal de Curitiba tratam de delações sobre ações no setor petroquímico, área de interesse da Brakem, empresa do Grupo Odebrecht, e de supostas interferências de Lula junto a autoridades de Angola em favor da empreiteira. 



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