Sexta, 07 de abril de 2017, 08h00

Sofrendo derrotas

Atuação de base na Câmara dos Deputados ameaça reformas de Michel Temer


Estadao

BRASÍLIA - O comportamento da base aliada na Câmara dos Deputados acendeu alerta para as futuras votações das principais reformas que o governo pretende aprovar neste ano, a da Previdência e a trabalhista. Nas últimas três semanas, o Palácio do Planalto sofreu derrotas e enfrentou dificuldades para aprovar matérias impopulares na Casa.

Parlamentares dizem que esse cenário decorre da combinação de alguns fatores: a agenda impopular do governo e seus possíveis efeitos na reeleição dos deputados em 2018; problemas na articulação política na Casa e na comunicação do Planalto, além da falta de atendimento às reivindicações por cargos na administração federal.

Divulgação

A primeira dificuldade do governo foi registrada no dia 22 de março, com o projeto que regulamenta a terceirização. A proposta foi aprovada com um placar apertado de 231 votos a 188, menos do que os 308 votos mínimos necessários para aprovar uma emenda à Constituição, como a da reforma da Previdência.

Desde então, o governo foi derrotado ao ver aprovada, por 245 a 179, uma emenda do PT à Medida Provisória do Cartão Reforma, que obriga a União a destinar 20% do valor do programa à área rural. O governo queria manter esse porcentual em 10%, mas perdeu.

Na semana passada, o Planalto também não conseguiu alcançar os votos mínimos necessários para aprovar em segundo turno uma emenda à Constituição autorizando universidades públicas e institutos federais a cobrar por cursos de extensão e pós-graduação lato sensu (especializações). A proposta recebeu 304 votos favoráveis e 139 contrários.

O governo vem enfrentando ainda dificuldade para aprovar o projeto que cria o Regime de Recuperação Fiscal para Estados falidos. Temendo derrota, nesta quinta-feira, 6, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), adiou a votação para a próxima semana.

Deputados relatam que a agenda governista e seus efeitos em 2018 aliada à falta de uma boa articulação política são o principal fator desse novo cenário da Casa – que tem ameaçado a ideia de governo congressual que Temer costuma defender.

“Matéria indigesta não vota se não tiver interlocução. O governo só tem um articulador, que é o próprio (presidente) Michel (Temer). Os outros estão acomodados. Quantas vezes você viu um ministro articular com a bancada do seu partido aqui na Câmara?”, disse Danilo Forte (PSB-CE). “Ou descem do pedestal e afinam agenda com o Congresso ou vai ser derrota.”

Redes

Há relatos ainda do aumento da pressão do eleitor via redes sociais. “A maior tarefa é convencer a população”, disse o líder Efraim Filho (DEM-PB). Para o líder, há resistência do eleitorado às reformas e cobrança imediata de seus posicionamentos na internet. “As pessoas não estão informadas, não estão convencidas”, concluiu.

Deputados também dizem que a Câmara tem resistido nas medidas impopulares porque muitas vezes o Senado não as leva adiante e deixa o ônus apenas com os deputados. “Todas as broncas começam por aqui. Você se desgasta e o Senado vai lá derruba, muda tudo ou senta em cima”, afirmou Joaquim Passarinho (PSD-PA).

Ele citou como exemplo o pacote anticorrupção, aprovado pela Câmara no fim de 2016 e que está parado no Senado, e a própria terceirização, quando deputados tiveram de votar o tema duas vezes: em 2015 e em março deste ano. Passarinho vê atuação tímida dos articuladores do Planalto. “Hoje você tem líder do governo e mais de dez vice-líderes, mas eles não aparecem no plenário aqui para defender o governo. Se os líderes dos grandes partidos não estão defendendo o governo, como os outros parlamentares vão defender?”

Além do líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), o Palácio do Planalto criou a função de líder da maioria, posto ocupado atualmente pelo deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES). Tem ainda um deputado na liderança do Executivo no Congresso Nacional, no caso, André Moura (PSC-SE). Nos bastidores, deputados relatam falta de sintonia entre os três. Procurados ontem, Aguinaldo, Lelo e Moura não foram encontrados para falar sobre o assunto.
 



Aguarde! Carregando comentários ...


// matérias relacionadas

Sábado, 22 de abril de 2017

11:50 - Em entrevista, Temer descarta risco de perder mandato

11:47 - Na TV Espanhola, Temer elogia Moro

Quinta, 20 de abril de 2017

15:32 - Temer faz apelo contra imagem de que Brasil é 'paiseco'

Terça, 18 de abril de 2017

10:49 - Temer diz ter tido nome usado por muita gente para prática de equívocos

Segunda, 17 de abril de 2017

11:08 - Temer segue nas articulações para não atrasar calendário de reformas

Quinta, 13 de abril de 2017

11:23 - Governo cancela quase 85 mil auxílios-doença e economiza R$ 1,6 bilhão

Quarta, 12 de abril de 2017

16:36 - Governo avalia idade mínima de 50 anos para mulher e 55 para homem

Sexta, 07 de abril de 2017

15:59 - Governo propõe salário mínimo de R$ 979 para o ano que vem

Quarta, 05 de abril de 2017

11:07 - Temer assinará acordo de visto de estudantes da comunidade de língua portuguesa

Terça, 04 de abril de 2017

08:34 - Após 32 anos, teste de DNA comprova troca de bebês em Goiás


// leia também

Quarta, 26 de abril de 2017

17:45 - Senado instala CPI da Previdência para investigar rombo e casos de fraude

15:03 - Justiça determina volta de Adriana Ancelmo à prisão

14:00 - Sessão da Câmara discute reforma trabalhista

13:15 - Moro acata pedido da PF e adia depoimento de Lula na Lava Jato

11:36 - Estaria Moro com medo de ser julgado por seus próprios pares?, provoca Requião

11:29 - Moreira ataca PT - nunca se fez tanta estripulia quanto se fez nos últimos anos

11:29 - Gilmar Mendes suspende interrogatório de Aécio na Lava Jato sobre Furnas

10:27 - Justiça do Rio nega pedido da Odebrecht contra retenção de R$ 200 milhões

07:54 - Governo sofre pressão para adiar votação da reforma da Previdência

07:50 - AGU cobra de empresas envolvidas na Lava Jato ressarcimento de R$ 11,3 bilhões


 veja mais
Cuiabá, Quinta, 27/04/2017
 

WhatsApp Twuitter
WhatsApp

Fogo Cruzado waze

titulo_jornal Quinta, 27/04/2017
32d16ba8179c555dc6f723de0bbcff0d anteriores




Indicadores Econômicos

Mais Lidas Enquete

Centrais sindicais marcam para a sexta-feira uma greve geral, com paralisação de serviços essenciais em todo o país. Na sua opinião:



Logo_classifacil









Loja Virtual