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12.05.2018 | 00h00

Quase nada mudou

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Neste domingo, 13 de maio, além de Dia das Mães, a abolição da escravatura no Brasil completa 130 anos. Mas, após mais de um século da assinatura da Lei Áurea, a população negra brasileira continua a sofrer desigualdades e racismo.
Se hoje ela não vai mais para o tronco como no tempo da escravidão, continua sofrendo outras atrocidades morais, econômicas e físicas. Os negros formam a camada da população brasileira mais vulnerável do ponto de vista socioeconômico, no que concerne à violência e a assassinatos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do total de 16 milhões de brasileiros na extrema pobreza, a grande maioria é negra ou parda. Ainda de acordo com o Instituto, pessoas pretas e pardas têm mais probabilidade de viver em lares em condições precárias, sem acesso simultâneo à água, esgoto e coleta de lixo, em relação à população que se declara branca.
Segundo o Mapa da Violência, um rapaz negro tem até 12 vezes mais chance de ser assassinado em relação a um branco. O quadro é tão grave que, no final do ano passado (2017), a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a campanha Vidas Negras visando chamar a atenção de governos, parlamentos, tribunais, organizações e da sociedade para o problema da violência contra essa parcela que já representa 54% dos brasileiros. De acordo com dados da ONU, enquanto nesse grupo a taxa de homicídios cresceu 18% de 2005 a 2015, com relação aos demais brasileiros, ela caiu 12%.
As desigualdades são gritantes no mercado de trabalho, tanto no que diz respeito ao acesso (ou falta dele), como quanto à remuneração.
De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais - Uma análise das condições de vida da população brasileira, o rendimento está relacionado à escolaridade, de difícil acesso à população negra. Apesar de o número de negros cursando o ensino superior ter dobrado, segundo o censo de 2015, somente 12,8% dessa população chegou ao nível superior, enquanto os brancos de nível superior eram que 26,5% do total no mesmo ano.
Às vezes parece que avançamos, mas não é bem assim. Avaliando alguns dados podemos dizer que o Brasil retrocedeu mais do que avançou em questões raciais. De acordo com o IBGE, entre a população negra, 9,9% é analfabeta, ao passo que entre a população branca, este número é de 4,2%.
Numa avaliação de 20 anos, entre 1995 e 2015, a população adulta branca que contava com, pelo menos, 12 anos de estudo foi duplicada, passando de 12,5% para 25,9%, enquanto a negra foi de inacreditáveis 3,3% para 12%.
E as desigualdades não param por aí. Os poucos negros e negras que conseguem ingressar numa universidade e se formam, ao chegar ao mercado de trabalho se deparam com outras dificuldades impostas pela raça. Se considerarmos o resultado do perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas brasileiras, publicado pelo Instituto Ethos, nos anos de 2007, 2010 e 2016 notamos que os percentuais de empregabilidade de negros na alta liderança variaram pouco.
Em 2007, negros representavam 25% do quadro funcional e 3,5% do quadro executivo. Em 2010, eram 31,1% no quadro funcional e 5,3% no executivo e, em 2016, 35,7% e 4,7%, respectivamente.
Por mais que se tente mascarar a situação do racismo na sociedade brasileira, essas são questões ainda inerentes ao cotidiano de negros e pardos e revelam o quanto ainda estamos atrasados nesta seara, também. O certo é que 130 anos após a abolição, o abismo social entre brancos e negros continua.
 

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