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14.01.2018 | 00h00

Complicado!?

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Aumentam-se as conversas sobre a disputa pela cadeira central do Palácio Paiaguás. Tão somente sobre nomes, nunca a respeito de programas de governo, de projetos ou de discursos. Programas, projetos e discursos que não são construídos. Jamais foram. Não foram e não são por falta de capacidade das chamadas lideranças políticas, pela ausência de interesse e pela falta de vontade dos próprios partidos políticos. Estes, sequer, se aproximam dos variados setores da sociedade civil, com o fim de instigá-los à discussão, e, então, coletarem dados e subsídios necessários as suas próprias defesas e ações. Isto é uma das razões em que eles, os partidos, se veem presos a uma única função, o de carimbar o passaporte de quem pretende disputar um cargo eletivo. Daí a falação em torno apenas de prováveis candidatos.

Falação norteada pelo teor das vontades pessoais, e é alimentada por especulações, notícias plantadas e achismos. São exatamente estes ingredientes que servem de sustentação das avaliações dos analistas políticos. Estranho! Estranhíssimo - é bom que se diga. Pois, desse modo, perdem-se o contexto, a situação vivida e, pior, os retratos existentes. Retratos que têm dois panos de fundos: o da situação e o da oposição. Aquela dividida entre descontentes e desunidos, enquanto esta, fragmentada e desorganizada. Tanto que a oposição foi incapaz, ao longo dos últimos três anos, de construir uma candidatura. Falou-se que o PP teria uma carta na manga da camisa, e a tal carta seria o Blairo Maggi, mas este só pensa em sua recandidatura, claro. O PR pensou em Wellington Fagundes, que se mostrava animado com a ideia, até chegou a assinar artigos publicados em blogs, sites e na imprensa, mas foi obrigado a sair-se de cena tão logo apareceu à delação do Silval Barbosa. Reapareceu nos últimos dias de dezembro do ano passado em razão da liberação do Fex, com a tentativa de se autocolocar como pai de algo que dispensa paternidade.

Já o PMDB, como barata tonta, procurou se agarrar ao conselheiro Antônio Joaquim que, por sua vez, tem dificuldade de escapar das acusações registradas na delação do ex-governador peemedebista. Sem um porto seguro, agora a sigla peemedebista sonha em se agrupar ao PT, PDT e ao PR. Aliança que já apresenta uma série de complicações, entre as quais a ausência de um nome competitivo, com densidade eleitoral significativa.

O quadro situacionista não é de todo diferente. Pois se encontra todo desmantelado, até por inabilidade do governador, que não conseguiu manter em torno de si todos os treze partidos que estiveram com ele na campanha de 2014. O PDT desgarrou-se muito cedo, tão logo da migração do governador de sua fileira para o ninho tucano. O PTB ameaçou sair, logo retornou à base, pois não consegue ficar longe dos encantos que do poder emana. E o DEM, dividido, vê-se totalmente deslumbrado, tal como a uma criança que pela vez primeira lhe é estendido o pirulito, com a suposta chegada dos rebeldes do PSB, e com a possibilidade de ter a candidatura do Mauro Mendes. Este saiu da prefeitura da Capital com alto índice de aprovação, mesmo tendo uma gestão capenga e cheia de problemas. Problemas que não serão escondidos, caso ele resolva sair de fato para a disputa, mas somados a sua falta de discurso, até porque o de empresário de sucesso já não cola mais em razão das dificuldades financeiras de suas empresas. Diante disso, não se pode ignorar a potencialidade do governador (pequena, mas interessante), a despeito dos desacertos de sua administração e da forte rusga interna do PSDB, a qual enfraquece também a sua recandidatura e esfacela a própria agremiação. Quadro complicado. É isto.

Lourembergue Alves é professor, estudioso do jogo político e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço aos domingos. E-mail: lou.alves@uol.com.br.

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