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13.05.2018 | 00h00

A mentira como verdade

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As horas correm, o tempo voa, e, daqui a pouco, ter-se-á a campanha político-eleitoral (16 de agosto). Falam-se todo dia sobre as disputas. Disputas que pautam os mais variados debates no país, a imprensa e até a maioria das conversas nos botequins. Especulações são realimentadas e notícias fabricadas. Há, neste processo, uma gangorra de nomes. Nomes vão e vem. São colocados, outra hora retirados, para depois serem reacomodados. Depende muito dos interesses. Interesses individuais e grupais. Nunca os coletivos ou da sociedade. Contudo, os políticos falam que trabalham para a coletividade. Acredita-se, (e) leitor? Esta pergunta não é feita pelos partidos, nem pelas lideranças políticas. Não os perguntam, pois já sabem a resposta, e, mesmo assim, continuam com a lengalenga de sempre. Parece disco furado (lembra-se do LP? Quanto tempo!) rodando na vitrola (também de outro tempo). Não se tocam. Teimam e teimam, sem destoarem. Até porque já sabem de cor e salteado o velho script. Decoraram o enredo. Sabem cada passo que precisa ser dado. O cenário já lhes é conhecido. Não titubeiam. Mesmo se o esquecessem, seriam alertados a entoar o velho refrão.

Diz-se em "ouvir as bases". Agora, por último, em Mato Grosso, adotaram outro: "retirar-se o candidato de uma pesquisa". Esta frase caiu no gosto dos coronéis políticos. Estes são seguidos pelos chefes, chefetes e agregados partidários, os quais, em coro, repetem, sem empolgação, que "a pesquisa é democrática". Tanto que dá voz a quem, dias atrás, apenas era chamado para aplaudir. Isto pode ser verdadeiro. E não se pode dizer que não seja. Até porque se ouve uma porção de gente. A questão é saber se o que será ouvido aparecerá de fato no resultado divulgado? Ainda que tal divulgação seja para poucos. Poucos que espalharão os dados para mais e mais pessoas. Mesmo se os ditos dados não sejam os verdadeiros. O mais importante é "vender" que o prometido foi cumprido. Parte do eleitorado compra e comprará, e jamais reclama da mentira vendida como se verdade fosse.

Assim como também não se mostra desconfiado quando uma agremiação partidária se compromete a elaborar (e apresentará) um projeto alternativo para o governo do Estado. Como ela fará esta façanha a poucos meses do início da campanha? Não será capaz. Nem ela, tampouco partido algum. Pois, aliás, (e) leitor), um projeto ou programa de governo nunca deveria ser de cunho pessoal, de responsabilidade do político "A", "B" ou "C". Mas, isto sim, do partido político. O que o obrigaria, bem como suas lideranças, a montar estratégias com o fim de provocar os setores da sociedade, e, então, retirarem-se destes subsídios para esquema do discurso e do tão falado projeto alternativo. Isto, claro, desde janeiro de 2015, ou até mais atrás.

Então, é mentira dizer que o suposto candidato "A", ou "B", ou "C" ou "D" virá para a disputa com projeto alternativo debaixo do braço. Nenhum deles tem ou terá. O que eles apresentarão, é bom que se diga, são listas de promessas. Promessas não são o mesmo que propostas. Há uma enorme diferença entre estas e aquelas. É preciso dizer isto. Assim como também é preciso dizer que nenhum dos partidos e dos supostos candidatos tem planos de ações ou planejamentos de coisa alguma. Durante a campanha, repetirão textos escritos por encomendas, como velhos refrães ou scripts mal traçados e, por certo, desalinhados e descompromissados com a verdade. E, o eleito, então, governará de improviso. É isto.

Lourembergue Alves é professor e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br.

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